Valuation: o que é e como calcular o valor da empresa

Valuation é a estimativa do valor de uma empresa, feita pelo caixa que ela deve gerar, por comparação com o mercado ou pelo patrimônio. O resultado é uma faixa de valores, e não um número único.

Equipe Paggo

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Colagem com uma calculadora financeira HP 12C, representando o cálculo do valor de uma empresa

O que é valuation: a estimativa do valor de uma empresa

Valuation é o processo de estimar quanto vale uma empresa. O significado de valuation é avaliação de empresas, ou corporate valuation e financial valuation em inglês. A pergunta de partida: quanto um comprador racional pagaria hoje, dado o caixa que o negócio deve gerar e o risco de gerá-lo?

O resultado é uma estimativa, e não um preço. O preço é o que comprador e vendedor aceitam pagar, enquanto o valuation é o valor econômico que sustenta a conversa. Dois avaliadores com os mesmos números chegam a valores diferentes quando discordam do crescimento ou do risco, e por isso o trabalho termina em uma faixa, com as premissas à mostra.

Há dois valores a separar. O valor da empresa (enterprise value, ou EV) pertence a todos os financiadores, sócios e credores. O valor do patrimônio (equity value) é o que sobra para os sócios depois de descontada a dívida líquida: valor do patrimônio = valor da empresa − dívida líquida.

Para que serve o valuation: decisões que precisam de um número defensável

O valuation entra na compra ou venda de uma empresa, na entrada de um investidor, na entrada ou saída de sócios e no reembolso do acionista dissidente. Neste último caso a regra está na lei. A Lei das S.A. (Lei 6.404/1976), em seu art. 45, permite fixar o valor de reembolso com base no valor econômico da companhia, apurado em avaliação, e prevê que o valor seja determinado por três peritos ou por empresa especializada quando o estatuto mandar avaliar a ação.

Fora dessas ocasiões, o cálculo anual mostra se as decisões de preço, custo e investimento criam ou consomem valor.

Três métodos para calcular o valuation de uma empresa

Os métodos se dividem em três famílias, e a norma contábil segue a mesma lógica. O CPC 46 (itens 62 e B5 a B11), que trata da mensuração do valor justo, organiza as técnicas de avaliação em abordagens de receita, de mercado e de custo, e os três métodos abaixo seguem essa mesma lógica. Na prática, são três perguntas: 1) quanto caixa o negócio vai gerar e com que risco, 2) quanto o mercado paga por negócios parecidos e 3) quanto valem os ativos hoje, depois de pagos os passivos.

MétodoPergunta que respondeAbordagem no CPC 46Quando usar e qual o limite
1. Fluxo de caixa descontadoQuanto caixa o negócio gera, e a que risco?ReceitaEmpresa com histórico para projetar. Sensível à taxa e ao crescimento.
2. Múltiplos de mercadoQuanto o mercado paga por empresas comparáveis?MercadoHá comparáveis de setor e porte parecidos. Vale o que a comparação valer.
3. PatrimonialQuanto valem os ativos menos os passivos?Custo (na versão ajustada)Holdings, imobiliárias e liquidação. Ignora o caixa futuro.

O avaliador costuma usar dois métodos e comparar os resultados. Os exemplos a seguir usam a mesma empresa de serviços, ilustrativa: EBITDA de R$ 3,0 milhões, dívida líquida de R$ 4,0 milhões e patrimônio líquido contábil de R$ 5,0 milhões.

Como calcular o valuation pelo fluxo de caixa descontado

O fluxo de caixa descontado (FCD, ou DCF em inglês) vale o negócio pelo caixa livre que ele deve gerar, trazido a valor presente. A conta tem quatro passos: projetar o fluxo de caixa livre de cada ano (em geral de cinco a dez), escolher a taxa de desconto, estimar o valor do negócio depois do último ano projetado, a chamada perpetuidade, e somar tudo. A taxa de desconto é o retorno que o investidor exigiria em alternativas de risco parecido, e nas empresas costuma ser o custo médio ponderado de capital (WACC). As fórmulas são duas:

Valor presente do ano n = fluxo de caixa livre do ano n ÷ (1 + taxa)^n

Valor na perpetuidade = fluxo do último ano × (1 + g) ÷ (taxa − g), em que g é o crescimento anual perpétuo.

No exemplo, a taxa é de 15% ao ano e g é de 3%. O valor da perpetuidade, de R$ 15.450 mil no ano 5, é descontado por cinco anos.

ItemFluxo (R$ mil)Fator de descontoValor presente (R$ mil)
Ano 11.0000,8696870
Ano 21.2000,7561907
Ano 31.4000,6575921
Ano 41.6000,5718915
Ano 51.8000,4972895
Perpetuidade no ano 515.4500,49727.681
Valor da empresa12.189 soma dos valores presentes

A perpetuidade responde por R$ 7,7 milhões dos R$ 12,2 milhões, ou 63% do valor da empresa. Esse peso é o principal alerta do método: quase dois terços do resultado dependem do trecho mais incerto da projeção, depois do quinto ano. Descontada a dívida líquida de R$ 4,0 milhões, o valor do patrimônio dos sócios é de R$ 8,2 milhões.

Do valor da empresa ao valor do patrimônio dos sócios no fluxo de caixa descontado, em R$ mil
Valor presente do caixa projetado e da perpetuidade
Dívida líquida
Valor do patrimônio
4.508 + 7.681 12.189 − 4.000 8.189 Caixa dos anos 1 a 5 Perpetuidade Valor da empresa Dívida líquida Valor do patrimônio valor presente valor presente 63% vem da perpetuidade sai do valor fica com os sócios

Exemplo ilustrativo, com taxa de desconto de 15% ao ano e crescimento perpétuo de 3%. Valores arredondados para R$ mil.

Por que o valuation é uma faixa: o efeito da taxa de desconto e do crescimento

Alterar a taxa de desconto e o crescimento perpétuo muda o valor do patrimônio do exemplo de R$ 5,9 milhões para R$ 12,0 milhões. A tabela mostra o valor do patrimônio dos sócios em nove cenários.

Taxa de descontog = 2%g = 3%g = 4%
13%9.81210.81612.043
15%7.5298.189 caso base8.968
17%5.8636.3206.848

Valor do patrimônio em R$ mil, com os mesmos fluxos do exemplo anterior. Dois pontos percentuais de taxa pesam mais do que um ponto de crescimento: com g de 3%, ir de 15% para 13% soma R$ 2,6 milhões, enquanto ir de 3% para 4% de crescimento soma R$ 0,8 milhão. Por isso o laudo traz as premissas e a faixa.

Como calcular o valuation por múltiplos de mercado

O método de múltiplos multiplica um indicador da empresa por um múltiplo observado em negócios comparáveis. O mais usado é o valor da empresa sobre o EBITDA (EV/EBITDA), em que o EBITDA é o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, apurado como mostra o artigo sobre EBITDA. Os comparáveis vêm de dois lugares: empresas listadas em bolsa (os trading multiples) e transações de compra e venda já fechadas (os transaction multiples).

Se empresas comparáveis são negociadas entre 4,0 e 5,0 vezes o EBITDA, a empresa do exemplo, com EBITDA de R$ 3,0 milhões, vale de R$ 12,0 a R$ 15,0 milhões. Descontada a dívida líquida, o patrimônio fica entre R$ 8,0 e R$ 11,0 milhões. O fluxo de caixa descontado deu R$ 12,2 milhões de valor da empresa, ou 4,1 vezes o EBITDA, dentro da faixa, e o cruzamento dá mais confiança ao número.

A armadilha é comparar com empresa de outro setor ou porte: o múltiplo de um comparável grande aplicado a uma empresa menor tende a superestimar o valor, e o avaliador ajusta por tamanho e liquidez.

Valuation patrimonial: quando o valor da empresa está nos ativos

O método patrimonial parte do balanço: ativos menos passivos. Na versão contábil, usa o patrimônio líquido registrado, de R$ 5,0 milhões no exemplo, abaixo dos R$ 8,2 milhões do fluxo de caixa descontado porque o balanço não registra o valor da marca, da carteira de clientes nem do caixa futuro. Na versão ajustada, ativos e passivos são reavaliados a valores de mercado, o que se aproxima da abordagem de custo do CPC 46. Serve a holdings, empresas imobiliárias e negócios em liquidação, em que o valor está nos bens, e depende de um balanço patrimonial conciliado.

Pré-money e pós-money: o valor da empresa antes e depois de um aporte

Em rodadas de investimento, o valuation recebe dois nomes. O pré-money é o valor do patrimônio da empresa antes do aporte, e o pós-money é o valor depois dele, ou seja, o pré-money mais o dinheiro que entrou. Com pré-money de R$ 8,0 milhões e um aporte de R$ 2,0 milhões, o pós-money é de R$ 10,0 milhões e o investidor fica com 20% da empresa (2 ÷ 10). O pré-money sai de um dos três métodos acima, depois de descontada a dívida líquida.

Que dados do financeiro sustentam o valuation

Qualquer método vale o que valem os números de entrada: o fluxo de caixa descontado depende do caixa realizado e projetado, os múltiplos de um EBITDA sem distorções e o patrimonial de um balanço conciliado. Quando o caixa está espalhado em várias contas e o resultado só fecha semanas depois do mês, a incerteza entra na negociação como desconto no valor.

A Paggo é uma plataforma financeira para a gestão de contas, pagamentos e controladoria da empresa. Ela consolida o saldo das contas na tesouraria, importa extratos de outros bancos via Open Finance, controla contas a pagar com fluxos de aprovação, mostra a projeção de caixa de curto prazo e mantém a DRE gerencial atualizada. Com isso, o fluxo de caixa, a DRE e os relatórios gerenciais que alimentam o valuation ficam mais fáceis de levantar quando a avaliação é pedida. Veja como funciona a página de Controladoria.

Entenda como a Paggo pode organizar o fluxo de caixa e a DRE gerencial que sustentam o valuation da sua empresa.

Perguntas frequentes sobre valuation

O que significa valuation?

Valuation significa avaliação de empresas: a estimativa do valor econômico de um negócio, com premissas explícitas. Não é o preço de venda, que depende da negociação, da urgência e das garantias oferecidas.

Qual é a fórmula do valuation?

No fluxo de caixa descontado, o valor da empresa é a soma dos fluxos de caixa livres futuros divididos por (1 + taxa) elevado ao ano de cada fluxo, mais o valor da perpetuidade, descontado do mesmo modo. No método de múltiplos, a conta é indicador × múltiplo, por exemplo EBITDA × EV/EBITDA. Em ambos, o valor do patrimônio é o valor da empresa menos a dívida líquida.

Qual é o método de valuation mais usado?

O fluxo de caixa descontado é o método mais ensinado e usado quando há histórico para projetar, e os múltiplos de mercado são comuns em negociações rápidas, por dependerem de menos projeções. O avaliador costuma aplicar os dois e comparar.

Como fazer o valuation de uma empresa que ainda não dá lucro?

Sem lucro nem EBITDA positivo, o avaliador recorre ao múltiplo da receita de comparáveis ou de transações recentes e ao fluxo de caixa descontado com cenários de crescimento. A faixa tende a ser mais ampla, porque a projeção pesa mais que o histórico.

Existe calculadora de valuation pronta?

Sim, e a tabela deste artigo pode ser reproduzida em uma planilha com taxa, crescimento e fluxos como entradas. A parte difícil não é a conta, e sim justificar as premissas e ter dados financeiros confiáveis.

Preciso de um profissional para fazer o valuation?

Para uma estimativa interna, a equipe financeira segue os passos deste artigo. Para negociação com terceiros ou entrada de investidor, o mais prudente é um avaliador independente, e no reembolso de acionista com avaliação prevista no estatuto a Lei das S.A. exige três peritos ou empresa especializada.

Fontes consultadas

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