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Fluxo de caixa: o que é e como fazer na empresa

Fluxo de caixa é o registro e a projeção do dinheiro que entra e sai das contas da empresa, na data em que o pagamento de fato acontece.

Equipe Paggo

Atualizado em

Leitura de 10 min
Colagem editorial com uma torre de moedas, representando as entradas e saídas de dinheiro no caixa da empresa

O que é fluxo de caixa: o saldo das contas explicado pelas entradas e saídas do período

Fluxo de caixa é a demonstração de todas as entradas e saídas de dinheiro da empresa em um período, organizada para explicar como o saldo inicial das contas virou o saldo final. Para calcular o fluxo de caixa, a conta é simples, saldo final = saldo inicial + entradas − saídas; o trabalho, em uma empresa média ou grande, está no volume: dezenas de contas bancárias, milhares de boletos e Pix por mês e prazos de recebimento e pagamento que não coincidem.

O fluxo segue o regime de caixa: cada lançamento entra na data em que o dinheiro se move, e não na data da venda ou da nota. Uma venda faturada hoje para receber em 60 dias aparece na receita do mês, mas só entra no caixa daqui a dois meses. Essa diferença de calendário responde se haverá saldo para a folha na data e quanto capital de giro a operação consome.

A estrutura do fluxo de caixa separa três atividades, e só uma delas mede a operação

O Pronunciamento Técnico CPC 03 (R2), que rege a Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC), classifica toda movimentação em três grupos. Vale usar a mesma divisão no fluxo gerencial, porque ela separa o dinheiro que o negócio gera do que entra por empréstimo ou sai por investimento.

AtividadeO que entra no grupoO que o saldo do grupo indica
1. OperacionalRecebimentos de clientes, pagamentos a fornecedores, folha, tributos e despesasSe o negócio gera ou consome caixa o que mais importa
2. InvestimentoCompra e venda de máquinas, imóveis, participações e outros ativos de longo prazoQuanto a empresa está reinvestindo
3. FinanciamentoCaptação e amortização de empréstimos, aportes de sócios, dividendosComo a diferença está sendo coberta

A leitura que importa é a combinação: um operacional positivo que paga o investimento indica um negócio que se financia sozinho, enquanto um operacional negativo coberto por empréstimo indica dependência de crédito, ainda que o saldo pareça confortável no fim do mês.

O fluxo realizado explica o saldo de hoje; o projetado mostra onde o saldo vai faltar

O fluxo de caixa realizado registra o que já aconteceu e é conferido contra o extrato, lançamento por lançamento. O fluxo de caixa projetado usa a mesma estrutura para o futuro, a partir dos títulos a receber, das contas a pagar aprovadas e das premissas de venda e despesa.

CritérioFluxo realizadoFluxo projetado
BaseExtratos e conciliação bancáriaContas a receber, contas a pagar e premissas
PerguntaPara onde foi o dinheiro?Vai faltar dinheiro, quando e quanto?
HorizonteDia, semana, mês fechadoSemanas a meses à frente

A comparação entre projetado e realizado mostra quais premissas falham, em geral o prazo médio de recebimento, e corrige a próxima projeção. Para o curto prazo, com atrasos de clientes simulados semana a semana, veja o método do fluxo de caixa de 13 semanas.

Como fazer o fluxo de caixa na empresa: seis passos, do extrato à projeção

Um fluxo de caixa simples em planilha atende a operação pequena. Com várias contas e entidades, o controle e a gestão do fluxo de caixa precisam de regras fixas, porque cada lançamento deve entrar uma vez, na data e na categoria certas.

  1. 1

    Consolide os saldos iniciais de todas as contas e aplicações de liquidez imediata, por empresa do grupo.

  2. 2

    Defina as categorias a partir do plano de contas, agrupadas nas três atividades.

  3. 3

    Lance pela data de liquidação, não pela da nota ou do vencimento, e concilie cada movimento com o extrato.

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    Projete entradas e saídas com as contas a receber, as contas a pagar aprovadas e o histórico de atraso de cada cliente.

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    Fixe um saldo mínimo de caixa e marque as datas em que a projeção fica abaixo dele.

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    Compare projetado e realizado toda semana e ajuste as premissas que erraram.

O passo 3 é o que mais falha: quando o lançamento segue o vencimento, o fluxo conta como recebido um título que o cliente ainda não pagou, e a falta de caixa só aparece no extrato. A conciliação bancária diária é o que mantém o fluxo realizado igual ao saldo do banco.

Exemplo de fluxo de caixa: lucro de R$ 0,8 milhão e queda de R$ 3,3 milhões no saldo no mesmo mês

No exemplo ilustrativo a seguir, uma indústria de médio porte fecha março com receita líquida de R$ 10,0 milhões e lucro líquido de R$ 0,8 milhão na DRE, depois de começar o mês com R$ 4,0 milhões em conta. O fluxo realizado mostra outro mês:

Fluxo de caixa realizado de março (ilustrativo)R$ milhões
Saldo inicial4,0
Recebimentos de clientes8,2
Pagamentos a fornecedores−6,9
Folha e encargos−1,4
Tributos−0,9
Outras despesas−0,5
1. Caixa das atividades operacionais−1,5 consome caixa
2. Investimento (compra de máquina)−1,2
3. Financiamento (amortização de empréstimo)−0,6
Saldo final0,7
Do saldo inicial ao saldo final de março na empresa ilustrativa, em R$ milhões
Saldo inicial
Saída líquida de cada atividade
Saldo final
4,0 −1,5 −1,2 −0,6 0,7 Saldo inicial 1. Operacional 2. Investimento 3. Financiamento Saldo final mesmo mês com lucro de 0,8

Exemplo ilustrativo de empresa fictícia, com valores arredondados. Classificação das atividades conforme o CPC 03 (R2).

A empresa teve lucro e terminou o mês com 17,5% do saldo inicial. O operacional consumiu R$ 1,5 milhão porque R$ 1,8 milhão das vendas de março ficou em contas a receber, o estoque cresceu e fornecedores foram pagos acima das compras do mês. Se a política interna exige R$ 1,5 milhão de saldo mínimo, o fluxo projetado de abril precisa mostrar de onde virá a diferença antes da primeira folha.

Os métodos direto e indireto chegam ao mesmo caixa operacional por caminhos diferentes

O CPC 03 (R2) admite dois métodos para as atividades operacionais (item 18). O método direto lista recebimentos e pagamentos brutos, como na tabela acima, e é o formato que a tesouraria usa para decidir. O método indireto parte do lucro da DRE e o ajusta pelo que não passou pelo caixa, como a depreciação, e pela variação do capital de giro. Investimento e financiamento são iguais nos dois.

Do lucro da DRE ao caixa operacional de março pelo método indireto, em R$ milhões
Lucro líquido da DRE
Ajuste que soma
Ajuste que subtrai
Caixa operacional
0 0,8 +0,4 −1,8 −0,6 −0,3 −1,5 Lucro Depreciação Contas a receber Estoques Fornecedores 1. Operacional

Exemplo ilustrativo, mesma empresa e mesmo mês da tabela anterior. Ajustes conforme a lógica do método indireto do CPC 03 (R2).

Na DFC publicada, o indireto leva vantagem porque sai do balanço e da DRE, e o CPC 03 (R2) exige a conciliação do lucro líquido com o caixa operacional mesmo de quem apresenta pelo método direto (item 20A). A Lei 6.404/1976 exige a demonstração das sociedades por ações e dispensa a companhia fechada com patrimônio líquido inferior a R$ 2 milhões (art. 176, §6º). Para gerir o caixa da semana, porém, o indireto chega tarde: explica o mês fechado, enquanto o direto mostra, cliente a cliente e fornecedor a fornecedor, o que vai entrar e sair.

Fluxo de caixa e DRE medem o mesmo negócio em calendários diferentes, e o capital de giro é a distância entre eles

A DRE segue o regime de competência: reconhece receita e despesa quando acontecem, pague-se ou não, enquanto o fluxo de caixa segue o dinheiro. A DRE diz quanto a empresa ganhou; o fluxo de caixa diz quando o dinheiro chega. Por isso indicadores de resultado como o EBITDA não substituem a leitura do caixa.

CritérioDREFluxo de caixa
RegimeCompetênciaCaixa
MedeLucro ou prejuízoVariação do saldo disponível
Compra de máquinaEntra aos poucos, via depreciaçãoSai inteira na data do pagamento
Venda a prazoReceita no mês da vendaEntrada no mês do recebimento

O capital de giro é o dinheiro preso entre esses dois calendários: estoque ainda não vendido e venda ainda não recebida, descontado o prazo obtido dos fornecedores. No exemplo, R$ 2,4 milhões a mais em contas a receber e estoques e a redução de R$ 0,3 milhão no saldo a pagar, descontada a depreciação de R$ 0,4 milhão que não sai do caixa, levam o lucro de R$ 0,8 milhão a um caixa operacional de R$ 1,5 milhão negativo. Quem cresce vendendo a prazo consome caixa porque cresce, e só o fluxo projetado mostra isso antes do extrato.

Como a Paggo apoia a gestão do fluxo de caixa da empresa

O fluxo de caixa confiável depende do saldo real de todas as contas, da conciliação de cada movimento e de uma projeção alimentada pelas contas a receber e a pagar, informações que costumam estar espalhadas entre planilha, ERP e portal bancário. O papel da tesouraria é reunir essa visão.

A Paggo é uma plataforma financeira que conecta o ERP da empresa aos bancos. A tesouraria da Paggo mostra o saldo de todas as contas em uma única tela via Open Finance, recebe os extratos para a conciliação e projeta entradas e saídas para controlar o caixa de curto prazo. Na mesma plataforma, as contas a pagar seguem fluxos de aprovação e a controladoria acompanha os resultados gerenciais.

Entenda como a Paggo pode consolidar o saldo e a projeção de caixa de todas as contas da sua empresa em uma única tela.

Perguntas frequentes sobre fluxo de caixa

Quais são os tipos de fluxo de caixa?

Além do realizado e do projetado, há o fluxo de caixa operacional (só a atividade 1), o fluxo de caixa livre (operacional menos investimentos, o que sobra para credores e sócios) e o fluxo de caixa descontado, que traz fluxos futuros a valor presente na avaliação de empresas.

Qual a diferença entre fluxo de caixa e controle de caixa?

O controle de caixa, ou movimento de caixa, é o registro diário das entradas e saídas. O fluxo de caixa organiza esses registros por atividade e os estende para o futuro.

Com que frequência o fluxo de caixa deve ser atualizado?

O realizado, diariamente, junto com a conciliação bancária. O projetado, ao menos uma vez por semana, com revisão das premissas de recebimento; com saldo apertado, vale a projeção diária dos próximos 30 dias.

A DFC é obrigatória?

Pela lei, sim para as sociedades por ações, salvo a companhia fechada com patrimônio líquido abaixo de R$ 2 milhões. Pela Lei 11.638/2007 (art. 3º), as sociedades de grande porte, com ativo total acima de R$ 240 milhões ou receita bruta acima de R$ 300 milhões no ano anterior, seguem as mesmas regras, ainda que não sejam sociedades por ações. Para as demais empresas, as normas contábeis do CFC para pequenas e médias empresas também incluem a DFC no conjunto completo de demonstrações. O fluxo gerencial não é exigido por lei.

Como se diz fluxo de caixa em inglês?

Cash flow. A DFC corresponde ao statement of cash flows da norma internacional IAS 7, da qual o CPC 03 (R2) é a versão brasileira.

Qual saldo mínimo de caixa a empresa deve manter?

Não há percentual fixo. Uma referência prática é cobrir folha, tributos e parcelas de dívida do período em que as entradas costumam atrasar, mais o desvio histórico entre recebimento projetado e realizado.

Fontes consultadas

  • Pronunciamento Técnico CPC 03 (R2): Demonstração dos Fluxos de Caixa (correlação com o IAS 7), texto disponibilizado pela CVM.

  • Lei 6.404/1976: demonstrações financeiras das sociedades por ações, art. 176, inciso IV e §6º.

  • Lei 11.638/2007: extensão das regras de demonstrações financeiras às sociedades de grande porte, art. 3º.

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