EBITDA: o que é, como calcular e para que serve
EBITDA é o lucro antes de juros, impostos sobre o lucro, depreciação e amortização. Mede quanto a operação gera antes da dívida, do imposto de renda e do desgaste dos ativos, e se calcula somando esses itens ao lucro líquido.

O que é EBITDA: o resultado da operação antes de juros, IR e CSLL, depreciação e amortização
O significado de EBITDA vem da sigla em inglês Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization. A tradução em português é LAJIDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), nome adotado pela Resolução CVM 156/2022, que regula a divulgação do indicador pelas companhias abertas. Como conceito, o EBITDA de uma empresa é o resultado da operação antes de quatro itens que dependem de outras decisões: como ela se financia, em que regime paga imposto de renda e quanto investiu em ativos.
Por isso o indicador serve para comparar operações com estruturas de capital diferentes, acompanhar a empresa mês a mês e servir de base para múltiplos de avaliação e limites de endividamento. A tabela numera os quatro itens que saem do lucro.
| Item que sai | O que é | Por que sai do EBITDA | Onde está na DRE |
|---|---|---|---|
| 1. Juros | Despesas financeiras menos receitas financeiras | Dependem de como a empresa se financia, não da operação | Resultado financeiro, abaixo do EBIT |
| 2. Impostos sobre o lucro | IRPJ e CSLL | Dependem do regime tributário (Lucro Real, Presumido ou Simples) | Linha própria, antes do lucro líquido |
| 3. Depreciação | Desgaste de máquinas, veículos e imóveis | Despesa contábil sem saída de caixa no período | Diluída no custo e nas despesas sem linha própria |
| 4. Amortização | Consumo de intangíveis, como software e licenças | Mesma lógica da depreciação | Diluída nas despesas sem linha própria |
Atenção: ICMS, ISS, PIS e COFINS sobre vendas não saem do EBITDA. São deduções da receita bruta e ficam dentro do indicador.
Como calcular o EBITDA: duas rotas da DRE que chegam aos mesmos R$ 2,3 milhões
A fórmula do EBITDA pode partir do fim ou do meio da DRE. A rota 1 é a definida no art. 3º da Resolução CVM 156/2022: lucro líquido + IRPJ e CSLL + despesas financeiras líquidas das receitas financeiras + depreciação, amortização e exaustão. A rota 2 parte do resultado antes do resultado financeiro e dos tributos, o EBIT, que já está antes dos itens 1 e 2: EBITDA = EBIT + depreciação + amortização. Se a DRE da empresa segue a ordem literal do art. 187 da Lei 6.404/1976, a linha de lucro operacional já vem depois das despesas financeiras, e elas também precisam ser somadas de volta. A DRE ilustrativa mostra de onde sai cada número.
| Linha da DRE (exemplo ilustrativo) | R$ mil | Item que sai do lucro |
|---|---|---|
| Receita bruta | 12.000 | |
| (−) Deduções: ICMS, PIS, COFINS e devoluções | −2.000 | fica no EBITDA |
| Receita líquida | 10.000 | |
| (−) Custo dos produtos vendidos | −6.000 | inclui 300 do item 3 |
| (−) Despesas com vendas | −1.000 | |
| (−) Despesas gerais e administrativas | −1.200 | inclui 100 do item 3 e 100 do item 4 |
| Resultado antes do resultado financeiro (EBIT ou LAJIR) | 1.800 | |
| (+) Receitas financeiras | 100 | item 1 |
| (−) Despesas financeiras | −500 | item 1 |
| (−) IRPJ e CSLL (34%) | −476 | item 2 |
| Lucro líquido | 924 |
Pela rota 2, o cálculo do EBITDA é 1.800 + 500 = 2.300. Pela rota 1, o mesmo número aparece somando ao lucro líquido os itens que a DRE descontou, como mostra a cascata.
Exemplo ilustrativo. IRPJ e CSLL à alíquota nominal combinada de 34% do Lucro Real aplicada sobre todo o lucro, sem a faixa isenta do adicional e sem adições ou exclusões. Rota de cálculo do art. 3º da Resolução CVM 156/2022.
No exemplo, o EBITDA é cerca de 2,5 vezes o lucro líquido. A diferença de 1.376 mil não desaparece: são juros pagos ao banco, imposto pago à Receita Federal e desgaste de ativos que um dia serão repostos. Já o EBIT (ou LAJIR) é o resultado antes do resultado financeiro e dos tributos, de 1.800, sem somar de volta a depreciação e a amortização; em operações com muitos ativos, mostra o resultado depois do custo de usá-los.
Na DRE por função, a mais usada no Brasil, a depreciação não tem linha própria e precisa vir das notas explicativas
A Lei 6.404/1976 (art. 187) organiza a DRE por função: custo das vendas, despesas com vendas, despesas financeiras líquidas e despesas gerais e administrativas. Nessa estrutura, a depreciação da fábrica fica no custo e a do escritório nas despesas administrativas. O CPC 26 (R1), no item 104, exige que quem classifica despesas por função divulgue a natureza delas, inclusive depreciação e amortização, em nota explicativa.
Para calcular o EBITDA a partir da DRE, portanto, a depreciação e a amortização saem da nota explicativa ou da demonstração dos fluxos de caixa pelo método indireto, que soma esse valor de volta ao lucro. Na DRE gerencial, o mais seguro é ter contas próprias de depreciação e amortização no plano de contas, para que o número não dependa de busca manual a cada fechamento.
Margem EBITDA, dívida líquida/EBITDA, EV/EBITDA e P/EBITDA: quatro leituras do mesmo número
O EBITDA em reais só ganha sentido quando dividido por uma base. A tabela usa o EBITDA anual de 2.300 mil do exemplo, com dívida bruta de 3.000 mil, caixa de 700 mil e valor de mercado das ações de 11.500 mil, todos ilustrativos.
| Indicador | Fórmula | O que mede | No exemplo |
|---|---|---|---|
| Margem EBITDA | EBITDA ÷ receita líquida × 100 | Quanto de cada real vendido vira resultado operacional antes da depreciação | 23% |
| Dívida líquida/EBITDA | (dívida bruta menos caixa) ÷ EBITDA | Quantos anos de EBITDA pagariam a dívida líquida | 1,0x |
| EV/EBITDA | (valor de mercado + dívida líquida) ÷ EBITDA | Preço da empresa inteira, para acionistas e credores, em anos de EBITDA | 6,0x |
| P/EBITDA | Valor de mercado ÷ EBITDA | Preço só das ações em anos de EBITDA, sem considerar a dívida | 5,0x |
O EV (enterprise value, também chamado de firm value) soma ao valor das ações a dívida líquida, e por isso o EV/EBITDA é sempre igual ao P/EBITDA mais a dívida líquida/EBITDA: no exemplo, 5,0x + 1,0x = 6,0x. Como o EBITDA é o resultado disponível para credores e acionistas, o EV/EBITDA compara grandezas equivalentes; o P/EBITDA iguala duas empresas de mesmo valor de mercado e dívidas muito diferentes. Nenhuma norma fixa um valor ideal para esses múltiplos: a leitura útil compara a empresa com pares do setor, com o próprio histórico e, na alavancagem, com o limite dos contratos de dívida.
EBITDA ajustado: a CVM exige que o ajuste apareça ao lado do número sem ajuste
A Resolução CVM 156/2022, em vigor desde 1º de agosto de 2022 no lugar da Instrução CVM 527/2012, define como as companhias abertas divulgam o LAJIDA quando optam por divulgá-lo: com valores das demonstrações contábeis elaboradas pelo CPC 26 (R1) e conciliação com elas. No número sem ajuste, a companhia não pode excluir itens não recorrentes, não operacionais ou de operações descontinuadas.
O EBITDA ajustado é permitido pelos arts. 4º e 5º, com quatro condições: ser identificado com o termo “ajustado”, aparecer junto do número sem ajuste, usar só valores registrados na contabilidade e descrever a natureza, o cálculo e a justificativa de cada ajuste. Fora do mercado de capitais, a regra serve de boa prática para o EBITDA gerencial apresentado a sócios e bancos.
Três erros de classificação mudam o EBITDA do exemplo em até 22% para baixo ou 9% para cima
A fórmula é a parte fácil: o EBITDA só é tão bom quanto a classificação das contas da DRE. As duas rotas conferem a aritmética, mas não pegam um lançamento na conta errada; se os juros de um empréstimo forem registrados como despesa administrativa, as duas chegam ao mesmo número errado.
Exemplo ilustrativo aplicado à DRE da seção de cálculo; cada barra simula um erro isolado: os 500 mil de despesas financeiras lançados em despesa administrativa, os 300 mil de depreciação do custo não somados de volta e uma manutenção de 200 mil registrada como ativo.
Os erros vão nos dois sentidos. Juros classificados como despesa da operação derrubam o EBITDA e escondem o custo da dívida; uma despesa registrada como ativo infla o EBITDA, porque o gasto sai da DRE e volta aos poucos como depreciação, que o indicador ignora. Os critérios de cada conta estão no guia de classificação contábil, e o efeito nas metas aparece na rotina de FP&A.
Um EBITDA gerencial mensal depende de lançamentos conciliados e classificados na origem
Para acompanhar o EBITDA todo mês, a DRE gerencial precisa receber cada pagamento e recebimento na conta contábil e no centro de custo certos, conferidos contra o extrato. Quando a classificação fica para o fechamento, em planilha, juros e tarifas se misturam às despesas da operação e o indicador oscila por motivo contábil.
A Paggo conecta o ERP da empresa aos bancos: importa os extratos via Open Finance para a conciliação, passa os pagamentos por alçada de aprovação e mantém a DRE gerencial atualizada conforme as transações acontecem, com as despesas já categorizadas pela apropriação gerencial da empresa. A página de controladoria mostra como funciona a DRE gerencial.
Perguntas frequentes sobre EBITDA
EBITDA é a mesma coisa que geração de caixa?
Não. O EBITDA ignora a variação do capital de giro (estoques e prazos de clientes e fornecedores), os investimentos em ativos e o pagamento de juros e impostos. Uma empresa que vende a prazo longo ou compra máquinas pode ter EBITDA positivo e caixa negativo no mesmo mês.
O que significa EBITDA negativo?
Significa que a operação não cobre os próprios custos e despesas, antes mesmo de pagar juros, imposto de renda e de repor ativos. Em empresas maduras, indica que a receita não sustenta a estrutura e que o caixa está sendo consumido.
Qual é o P/EBITDA ideal?
Não existe um valor ideal definido em norma. O múltiplo depende do setor, dos juros e do crescimento esperado, e só se compara entre empresas parecidas. Para avaliar a empresa inteira, o EV/EBITDA é mais consistente, porque inclui a dívida líquida.
Empresa do Simples Nacional pode calcular EBITDA?
Pode. Como o DAS do Simples Nacional reúne tributos sobre a receita e sobre o lucro, uma prática comum na DRE gerencial é tratá-lo inteiro como dedução da receita, o que deixa o EBITDA mais conservador. O importante é declarar o critério e mantê-lo em todos os períodos.
Aluguel contabilizado como arrendamento aumenta o EBITDA?
Sim, para quem aplica o CPC 06 (R2), em vigor desde 2019. Nele, a maior parte dos contratos de aluguel vira um ativo de direito de uso, depreciado, e um passivo que gera juros. O aluguel sai da DRE e volta como depreciação e despesa financeira, ambas fora do EBITDA, que sobe sem mudança na operação. Quem aplica o CPC PME continua registrando o aluguel como despesa, e o EBITDA não muda.
Onde encontrar o EBITDA de uma empresa de capital aberto?
No release de resultados e no site de relações com investidores. A divulgação é voluntária, mas a Resolução CVM 156/2022 exige que, quando feita, fique fora das demonstrações contábeis, venha conciliada aos números delas e passe pela verificação do auditor independente prevista na NBC TA 720.
Fontes consultadas
Resolução CVM 156/2022: divulgação de LAJIDA e LAJIR.
Lei 6.404/1976, art. 187: estrutura da DRE.
CPC 26 (R1): apresentação das demonstrações contábeis (item 104).
CPC 06 (R2): arrendamentos, consolidado pela Resolução CVM 95/2022.
Instrução CVM 527/2012, revogada pelo art. 10 da Resolução CVM 156/2022.
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