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EBITDA: o que é, como calcular e para que serve

EBITDA é o lucro antes de juros, impostos sobre o lucro, depreciação e amortização. Mede quanto a operação gera antes da dívida, do imposto de renda e do desgaste dos ativos, e se calcula somando esses itens ao lucro líquido.

Equipe Paggo

Atualizado em

Leitura de 10 min
Colagem com uma calculadora financeira HP 12C, representando o cálculo do EBITDA a partir da DRE

O que é EBITDA: o resultado da operação antes de juros, IR e CSLL, depreciação e amortização

O significado de EBITDA vem da sigla em inglês Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization. A tradução em português é LAJIDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), nome adotado pela Resolução CVM 156/2022, que regula a divulgação do indicador pelas companhias abertas. Como conceito, o EBITDA de uma empresa é o resultado da operação antes de quatro itens que dependem de outras decisões: como ela se financia, em que regime paga imposto de renda e quanto investiu em ativos.

Por isso o indicador serve para comparar operações com estruturas de capital diferentes, acompanhar a empresa mês a mês e servir de base para múltiplos de avaliação e limites de endividamento. A tabela numera os quatro itens que saem do lucro.

Item que saiO que éPor que sai do EBITDAOnde está na DRE
1. JurosDespesas financeiras menos receitas financeirasDependem de como a empresa se financia, não da operaçãoResultado financeiro, abaixo do EBIT
2. Impostos sobre o lucroIRPJ e CSLLDependem do regime tributário (Lucro Real, Presumido ou Simples)Linha própria, antes do lucro líquido
3. DepreciaçãoDesgaste de máquinas, veículos e imóveisDespesa contábil sem saída de caixa no períodoDiluída no custo e nas despesas sem linha própria
4. AmortizaçãoConsumo de intangíveis, como software e licençasMesma lógica da depreciaçãoDiluída nas despesas sem linha própria

Atenção: ICMS, ISS, PIS e COFINS sobre vendas não saem do EBITDA. São deduções da receita bruta e ficam dentro do indicador.

Como calcular o EBITDA: duas rotas da DRE que chegam aos mesmos R$ 2,3 milhões

A fórmula do EBITDA pode partir do fim ou do meio da DRE. A rota 1 é a definida no art. 3º da Resolução CVM 156/2022: lucro líquido + IRPJ e CSLL + despesas financeiras líquidas das receitas financeiras + depreciação, amortização e exaustão. A rota 2 parte do resultado antes do resultado financeiro e dos tributos, o EBIT, que já está antes dos itens 1 e 2: EBITDA = EBIT + depreciação + amortização. Se a DRE da empresa segue a ordem literal do art. 187 da Lei 6.404/1976, a linha de lucro operacional já vem depois das despesas financeiras, e elas também precisam ser somadas de volta. A DRE ilustrativa mostra de onde sai cada número.

Linha da DRE (exemplo ilustrativo)R$ milItem que sai do lucro
Receita bruta12.000
(−) Deduções: ICMS, PIS, COFINS e devoluções−2.000fica no EBITDA
Receita líquida10.000
(−) Custo dos produtos vendidos−6.000inclui 300 do item 3
(−) Despesas com vendas−1.000
(−) Despesas gerais e administrativas−1.200inclui 100 do item 3 e 100 do item 4
Resultado antes do resultado financeiro (EBIT ou LAJIR)1.800
(+) Receitas financeiras100item 1
(−) Despesas financeiras−500item 1
(−) IRPJ e CSLL (34%)−476item 2
Lucro líquido924

Pela rota 2, o cálculo do EBITDA é 1.800 + 500 = 2.300. Pela rota 1, o mesmo número aparece somando ao lucro líquido os itens que a DRE descontou, como mostra a cascata.

Do lucro líquido ao EBITDA no exemplo ilustrativo, em R$ mil
Lucro líquido
Itens somados de volta
EBITDA
924 +476 +400 +500 2.300 Lucro líquido IRPJ e CSLL Resultado financeiro Depreciação e amortização EBITDA

Exemplo ilustrativo. IRPJ e CSLL à alíquota nominal combinada de 34% do Lucro Real aplicada sobre todo o lucro, sem a faixa isenta do adicional e sem adições ou exclusões. Rota de cálculo do art. 3º da Resolução CVM 156/2022.

No exemplo, o EBITDA é cerca de 2,5 vezes o lucro líquido. A diferença de 1.376 mil não desaparece: são juros pagos ao banco, imposto pago à Receita Federal e desgaste de ativos que um dia serão repostos. Já o EBIT (ou LAJIR) é o resultado antes do resultado financeiro e dos tributos, de 1.800, sem somar de volta a depreciação e a amortização; em operações com muitos ativos, mostra o resultado depois do custo de usá-los.

Na DRE por função, a mais usada no Brasil, a depreciação não tem linha própria e precisa vir das notas explicativas

A Lei 6.404/1976 (art. 187) organiza a DRE por função: custo das vendas, despesas com vendas, despesas financeiras líquidas e despesas gerais e administrativas. Nessa estrutura, a depreciação da fábrica fica no custo e a do escritório nas despesas administrativas. O CPC 26 (R1), no item 104, exige que quem classifica despesas por função divulgue a natureza delas, inclusive depreciação e amortização, em nota explicativa.

Para calcular o EBITDA a partir da DRE, portanto, a depreciação e a amortização saem da nota explicativa ou da demonstração dos fluxos de caixa pelo método indireto, que soma esse valor de volta ao lucro. Na DRE gerencial, o mais seguro é ter contas próprias de depreciação e amortização no plano de contas, para que o número não dependa de busca manual a cada fechamento.

Margem EBITDA, dívida líquida/EBITDA, EV/EBITDA e P/EBITDA: quatro leituras do mesmo número

O EBITDA em reais só ganha sentido quando dividido por uma base. A tabela usa o EBITDA anual de 2.300 mil do exemplo, com dívida bruta de 3.000 mil, caixa de 700 mil e valor de mercado das ações de 11.500 mil, todos ilustrativos.

IndicadorFórmulaO que medeNo exemplo
Margem EBITDAEBITDA ÷ receita líquida × 100Quanto de cada real vendido vira resultado operacional antes da depreciação23%
Dívida líquida/EBITDA(dívida bruta menos caixa) ÷ EBITDAQuantos anos de EBITDA pagariam a dívida líquida1,0x
EV/EBITDA(valor de mercado + dívida líquida) ÷ EBITDAPreço da empresa inteira, para acionistas e credores, em anos de EBITDA6,0x
P/EBITDAValor de mercado ÷ EBITDAPreço só das ações em anos de EBITDA, sem considerar a dívida5,0x

O EV (enterprise value, também chamado de firm value) soma ao valor das ações a dívida líquida, e por isso o EV/EBITDA é sempre igual ao P/EBITDA mais a dívida líquida/EBITDA: no exemplo, 5,0x + 1,0x = 6,0x. Como o EBITDA é o resultado disponível para credores e acionistas, o EV/EBITDA compara grandezas equivalentes; o P/EBITDA iguala duas empresas de mesmo valor de mercado e dívidas muito diferentes. Nenhuma norma fixa um valor ideal para esses múltiplos: a leitura útil compara a empresa com pares do setor, com o próprio histórico e, na alavancagem, com o limite dos contratos de dívida.

EBITDA ajustado: a CVM exige que o ajuste apareça ao lado do número sem ajuste

A Resolução CVM 156/2022, em vigor desde 1º de agosto de 2022 no lugar da Instrução CVM 527/2012, define como as companhias abertas divulgam o LAJIDA quando optam por divulgá-lo: com valores das demonstrações contábeis elaboradas pelo CPC 26 (R1) e conciliação com elas. No número sem ajuste, a companhia não pode excluir itens não recorrentes, não operacionais ou de operações descontinuadas.

O EBITDA ajustado é permitido pelos arts. 4º e 5º, com quatro condições: ser identificado com o termo “ajustado”, aparecer junto do número sem ajuste, usar só valores registrados na contabilidade e descrever a natureza, o cálculo e a justificativa de cada ajuste. Fora do mercado de capitais, a regra serve de boa prática para o EBITDA gerencial apresentado a sócios e bancos.

Três erros de classificação mudam o EBITDA do exemplo em até 22% para baixo ou 9% para cima

A fórmula é a parte fácil: o EBITDA só é tão bom quanto a classificação das contas da DRE. As duas rotas conferem a aritmética, mas não pegam um lançamento na conta errada; se os juros de um empréstimo forem registrados como despesa administrativa, as duas chegam ao mesmo número errado.

EBITDA do exemplo ilustrativo com e sem erros de classificação, em R$ mil
EBITDA com classificação correta
EBITDA com erro de classificação
Classificação correta 2.300 Juros do empréstimo em despesa administrativa 1.800 −22% Depreciação do custo não somada de volta 2.000 −13% Manutenção registrada como ativo 2.500 +9%

Exemplo ilustrativo aplicado à DRE da seção de cálculo; cada barra simula um erro isolado: os 500 mil de despesas financeiras lançados em despesa administrativa, os 300 mil de depreciação do custo não somados de volta e uma manutenção de 200 mil registrada como ativo.

Os erros vão nos dois sentidos. Juros classificados como despesa da operação derrubam o EBITDA e escondem o custo da dívida; uma despesa registrada como ativo infla o EBITDA, porque o gasto sai da DRE e volta aos poucos como depreciação, que o indicador ignora. Os critérios de cada conta estão no guia de classificação contábil, e o efeito nas metas aparece na rotina de FP&A.

Um EBITDA gerencial mensal depende de lançamentos conciliados e classificados na origem

Para acompanhar o EBITDA todo mês, a DRE gerencial precisa receber cada pagamento e recebimento na conta contábil e no centro de custo certos, conferidos contra o extrato. Quando a classificação fica para o fechamento, em planilha, juros e tarifas se misturam às despesas da operação e o indicador oscila por motivo contábil.

A Paggo conecta o ERP da empresa aos bancos: importa os extratos via Open Finance para a conciliação, passa os pagamentos por alçada de aprovação e mantém a DRE gerencial atualizada conforme as transações acontecem, com as despesas já categorizadas pela apropriação gerencial da empresa. A página de controladoria mostra como funciona a DRE gerencial.

Entenda como a Paggo mantém a DRE gerencial da sua empresa atualizada a cada transação, com as despesas já categorizadas, para acompanhar o resultado todo mês.

Perguntas frequentes sobre EBITDA

EBITDA é a mesma coisa que geração de caixa?

Não. O EBITDA ignora a variação do capital de giro (estoques e prazos de clientes e fornecedores), os investimentos em ativos e o pagamento de juros e impostos. Uma empresa que vende a prazo longo ou compra máquinas pode ter EBITDA positivo e caixa negativo no mesmo mês.

O que significa EBITDA negativo?

Significa que a operação não cobre os próprios custos e despesas, antes mesmo de pagar juros, imposto de renda e de repor ativos. Em empresas maduras, indica que a receita não sustenta a estrutura e que o caixa está sendo consumido.

Qual é o P/EBITDA ideal?

Não existe um valor ideal definido em norma. O múltiplo depende do setor, dos juros e do crescimento esperado, e só se compara entre empresas parecidas. Para avaliar a empresa inteira, o EV/EBITDA é mais consistente, porque inclui a dívida líquida.

Empresa do Simples Nacional pode calcular EBITDA?

Pode. Como o DAS do Simples Nacional reúne tributos sobre a receita e sobre o lucro, uma prática comum na DRE gerencial é tratá-lo inteiro como dedução da receita, o que deixa o EBITDA mais conservador. O importante é declarar o critério e mantê-lo em todos os períodos.

Aluguel contabilizado como arrendamento aumenta o EBITDA?

Sim, para quem aplica o CPC 06 (R2), em vigor desde 2019. Nele, a maior parte dos contratos de aluguel vira um ativo de direito de uso, depreciado, e um passivo que gera juros. O aluguel sai da DRE e volta como depreciação e despesa financeira, ambas fora do EBITDA, que sobe sem mudança na operação. Quem aplica o CPC PME continua registrando o aluguel como despesa, e o EBITDA não muda.

Onde encontrar o EBITDA de uma empresa de capital aberto?

No release de resultados e no site de relações com investidores. A divulgação é voluntária, mas a Resolução CVM 156/2022 exige que, quando feita, fique fora das demonstrações contábeis, venha conciliada aos números delas e passe pela verificação do auditor independente prevista na NBC TA 720.

Fontes consultadas

  • Resolução CVM 156/2022: divulgação de LAJIDA e LAJIR.

  • Lei 6.404/1976, art. 187: estrutura da DRE.

  • CPC 26 (R1): apresentação das demonstrações contábeis (item 104).

  • CPC 06 (R2): arrendamentos, consolidado pela Resolução CVM 95/2022.

  • Instrução CVM 527/2012, revogada pelo art. 10 da Resolução CVM 156/2022.

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