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Relatórios gerenciais: o que são e quais montar

Relatórios gerenciais são relatórios internos que a empresa monta para decidir, sem formato fixado em lei. Cinco deles cobrem o financeiro de qualquer porte: DRE gerencial, fluxo de caixa, orçado x realizado, aging e painel de indicadores, cada um com cadência e dono.

Equipe Paggo

Atualizado em

Leitura de 10 min
Colagem com um analista e um relógio, representando a rotina e a cadência dos relatórios gerenciais do financeiro

Relatórios gerenciais são relatórios internos feitos para uma decisão, e não para cumprir uma obrigação legal

Na empresa, a palavra relatórios cobre dois mundos que costumam ser confundidos. De um lado estão as demonstrações contábeis, exigidas em lei ao fim de cada exercício: na sociedade anônima, a Lei 6.404/1976 (art. 176) pede balanço patrimonial, demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados, demonstração do resultado do exercício, demonstração dos fluxos de caixa e, na companhia aberta, demonstração do valor adicionado; nas demais empresas, o Código Civil (art. 1.179) exige ao menos o balanço patrimonial e o de resultado econômico. Elas seguem norma e olham para o ano fechado.

Os relatórios gerenciais, também chamados de relatórios de gestão, são desenhados pela própria empresa, na periodicidade que quiser, para responder a uma pergunta de quem decide. Como nenhuma norma fixa o formato, o risco é sobrar relatório que ninguém lê, e a régua que organiza o resto do artigo é um relatório, uma decisão, um dono: se o número muda e nenhuma decisão muda com ele, o relatório pode sair da rotina.

CritérioDemonstração contábilRelatório gerencial
ObrigatoriedadeExigida em lei Lei 6.404/1976 e Código CivilVoluntário
FormatoDefinido por norma contábilDefinido pela empresa
PeriodicidadeAnual, ao fim do exercícioDiária, semanal ou mensal, conforme a decisão
RecorteEmpresa como entidade jurídicaUnidade, projeto, centro de custo, cliente
Pergunta que respondeQual foi o resultado do exercício?O que fazer agora com o caixa, o custo ou a carteira?

Cinco relatórios gerenciais cobrem as decisões financeiras de qualquer empresa, do Simples ao Lucro Real

Relatórios de vendas, estoque ou RH variam de um negócio para outro, mas o núcleo financeiro se repete em quase todo relatório de empresa, porque as decisões se repetem: quanto a operação gera de resultado, se o caixa aguenta as próximas semanas, onde o gasto fugiu do plano, quem está devendo e se a empresa melhorou contra o mês anterior.

RelatórioPergunta que respondeCadênciaDonoQuem decide
1. DRE gerencialQuanto cada unidade, projeto ou cliente gerou de margem?mensalControladoriaDiretoria e sócios
2. Fluxo de caixaO caixa cobre os pagamentos das próximas semanas?diáriaTesourariaDiretor financeiro
3. Orçado x realizadoOnde o gasto ou a receita saíram do plano, e por quê?mensalFP&A ou controladoriaGestor de cada centro de custo
4. AgingQuem atrasou, há quanto tempo e o que vence a pagar?semanalContas a receber e a pagarTesouraria e comercial
5. Painel de indicadoresA empresa está melhor ou pior que no mês anterior?mensalDiretor financeiroDiretoria

Na empresa pequena, uma pessoa acumula vários desses papéis sem mudar a lógica: o dono responde pelo número certo e no prazo, e quem decide age sobre ele. O relatório sem dono é o que sai atrasado e sem ninguém para explicar o desvio.

Na DRE gerencial, uma receita 5% abaixo do orçado pode virar um EBITDA 26,5% abaixo, e o orçado x realizado mostra onde

A DRE gerencial (relatório 1) reorganiza receitas e despesas pela lógica da gestão: por unidade de negócio, projeto, filial ou cliente, separando custo fixo de variável. O orçado x realizado (relatório 3) põe ao lado de cada linha o valor planejado e calcula o desvio. Os dois saem do mesmo fechamento, e o desvio só tem leitura quando a linha tem um responsável que o explique.

No exemplo ilustrativo abaixo, a receita ficou 5,0% abaixo do orçado e a margem bruta caiu 8,3%. Ao mesmo tempo, as despesas comerciais ficaram 8,3% acima do plano. Somados, os dois efeitos levaram o EBITDA a 26,5% abaixo do orçado; só a queda de receita, com as despesas no plano, teria deixado o EBITDA 19,6% abaixo.

Linha da DRE gerencial (R$ mil)OrçadoRealizadoDesvioDesvio %
Receita líquida1.2001.140-60-5,0% abaixo
Custo dos serviços720700-20-2,8%
Margem bruta480440-40-8,3%
Despesas comerciais96104+8+8,3% acima
Despesas administrativas180186+6+3,3%
EBITDA204150-54-26,5% abaixo

Por isso o orçado x realizado se lê por linha: a pergunta útil é por que a despesa comercial subiu enquanto a receita caiu, e ela tem um gestor para responder. A conta do EBITDA e o desenho do orçamento, inclusive pelo método de orçamento base zero, definem as linhas que o relatório vai comparar.

O fluxo de caixa é o único relatório gerencial que perde valor em um dia, por isso a atualização é diária

O fluxo de caixa gerencial (relatório 2) é diferente da demonstração dos fluxos de caixa exigida em lei: a contábil olha para trás e separa as variações em operações, investimentos e financiamentos, enquanto a gerencial projeta os saldos de todas as contas bancárias contra os pagamentos e recebimentos previstos.

Como o saldo muda a cada liquidação, o relatório de ontem já não diz se o pagamento de amanhã cabe no caixa. A tesouraria atualiza o realizado todo dia, a partir dos extratos conciliados, e revisa a projeção toda semana; o horizonte de 13 semanas é o mais usado porque dá tempo de negociar prazo com fornecedor ou contratar crédito antes de o saldo ficar negativo.

O aging deve ser semanal porque dívida recente se recupera mais: 43,7% contra 19,0% das vencidas há mais de um ano

O aging distribui os títulos por faixa de vencimento: a vencer, até 30 dias, de 31 a 90 dias e acima de 90 dias. Aplicado ao que a empresa tem a receber, mostra quais clientes atrasaram e há quanto tempo. Aplicado ao que ela tem a pagar, mostra o que vence na semana e o que já está em atraso com fornecedores.

Dívidas de empresas pagas ou renegociadas em até 60 dias após a negativação, por tempo de vencimento, em %
Vencida há até 30 dias 43,7 Média de todas as dívidas 38,4 Vencida há mais de um ano 19,0

Dívidas de empresas negativadas em julho de 2025, com recuperação medida até setembro de 2025. Fonte: Serasa Experian, Indicador de Recuperação de Crédito das Empresas, comunicado de 28/11/2025, consultado em 22/10/2026.

Segundo o Indicador de Recuperação de Crédito das Empresas da Serasa Experian, a dívida negativada com até 30 dias de vencimento foi paga ou renegociada em até 60 dias 2,3 vezes mais que a vencida havia mais de um ano. Um aging mensal descobre o atraso com até quatro semanas de defasagem; o semanal faz o contato começar enquanto a chance de receber ainda é alta. Faixas, índice e prazo médio de recebimento estão no artigo sobre inadimplência.

O painel de indicadores funciona com 8 a 12 números, cada um comparado ao mês anterior e à meta

O painel de indicadores (relatório 5) resume os outros quatro para a diretoria: margem bruta e margem EBITDA, saldo e semanas de caixa projetadas, desvio do orçamento, índice de inadimplência, prazos médios de recebimento e de pagamento e endividamento. A faixa de 8 a 12 indicadores é uma referência prática, e não uma norma: acima disso, o painel deixa de apontar onde olhar.

A "margem de 13%" isolada não orienta decisão; "13%, contra 17% orçados e 15% no mês anterior" já diz que o problema vem piorando. A escolha dos indicadores e as fórmulas de cada um estão no artigo sobre KPI no financeiro.

Com a conciliação em dia, os cinco relatórios gerenciais podem sair em sete dias úteis depois do fim do mês

A ordem importa porque os relatórios dependem uns dos outros. A conciliação bancária vem primeiro, já que uma DRE gerencial sobre lançamentos não conciliados só repete o erro com mais formatação. Depois, a controladoria fecha a DRE, o FP&A compara com o orçamento e colhe as justificativas, e o painel consolida tudo para a reunião de resultado, enquanto fluxo de caixa e aging correm em paralelo.

Calendário dos relatórios gerenciais nos primeiros dez dias úteis do mês
Pré-requisito do fechamento
Relatórios do ciclo mensal
Relatórios contínuos, diários ou semanais
Conciliação bancária 1. DRE gerencial 3. Orçado x realizado 5. Painel de indicadores reunião de resultado 2. Fluxo de caixa 4. Aging DU1 DU2 DU3 DU4 DU5 DU6 DU7 DU8 DU9 DU10

Calendário ilustrativo; DU = dia útil após o fim do mês. Os prazos dependem do volume de lançamentos, do número de contas bancárias e do grau de automação do fechamento.

Para montar a rotina do zero, quatro decisões resolvem a maior parte do trabalho:

  • Fonte única: todos os relatórios partem da mesma base conciliada, para que a receita da DRE seja a mesma do painel.

  • Estrutura estável: plano gerencial de contas e centros de custo definidos antes do orçamento e mantidos entre meses.

  • Prazo de entrega: um dia útil fixo para cada relatório.

  • Dono nomeado: uma pessoa que responde pelo número e pelo desvio.

Essa rotina é o centro do trabalho de FP&A, o planejamento e análise financeira.

Como a Paggo gera a DRE gerencial e o orçado x realizado a partir das transações

Os cinco relatórios dependem de lançamentos conciliados e categorizados. A Paggo é uma plataforma de performance financeira que reúne em um só lugar os saldos de todas as contas, o contas a pagar com fluxos de aprovação e a Controladoria, o módulo de orçamento e resultado gerencial.

No módulo de Controladoria, a DRE gerencial é atualizada a cada transação, o orçado x realizado pode ser consultado a qualquer momento por projeto ou categoria gerencial, os resultados podem ser comparados entre empresas do grupo, e pagamentos que ultrapassam o limite orçado são sinalizados para revisão antes de serem executados.

Entenda como a Paggo pode manter a DRE gerencial e o orçado x realizado da sua empresa atualizados a cada transação.

Perguntas frequentes sobre relatórios gerenciais

O que é um relatório de gestão?

É outro nome para relatório gerencial: um documento interno que organiza dados da operação para apoiar uma decisão. Não se confunde com o relatório da administração, que a Lei 6.404/1976 (art. 133) exige das sociedades anônimas sobre os negócios e os principais fatos do exercício.

Relatório empresarial e relatório gerencial são a mesma coisa?

Relatório empresarial é um termo mais amplo, que inclui documentos para o público externo, como demonstrações contábeis e relatórios a investidores. O gerencial é a parte feita para uso interno.

Qual a diferença entre DRE gerencial e DRE contábil?

A DRE contábil segue a norma e o regime de competência, para a empresa como um todo. A DRE gerencial pode abrir o resultado por unidade, projeto ou cliente, separar custo fixo de variável e excluir itens não recorrentes, desde que os critérios sejam mantidos de um mês para o outro.

O que deve conter um relatório gerencial?

A pergunta que ele responde, o período e a data de corte, a fonte dos dados, a comparação com mês anterior, meta ou orçamento, e o responsável pelas explicações. Sem base de comparação, o número não diz se é bom ou ruim.

Dá para fazer relatórios gerenciais em planilha?

Sim, e muitas empresas começam assim. O limite aparece quando os dados vêm de várias contas bancárias e de exportações manuais do ERP: cada fechamento exige recolar a base, e surgem duas versões do mesmo número.

Quem é responsável pelos relatórios gerenciais?

Em geral, o controller responde pela DRE gerencial e pelo orçado x realizado, a tesouraria pelo fluxo de caixa e as áreas de contas a receber e a pagar pelo aging. Na empresa pequena, o responsável financeiro acumula as funções.

Quais relatórios gerenciais uma pequena empresa deve ter primeiro?

Fluxo de caixa e aging de contas a receber, porque protegem o caixa no curto prazo e dependem só de extratos e títulos. A DRE gerencial mensal vem em seguida, quando as despesas já estão categorizadas de forma estável.

Fontes consultadas

  • Lei 6.404/1976 (Lei das S.A.): demonstrações financeiras obrigatórias (art. 176) e relatório da administração (art. 133).

  • Serasa Experian: Indicador de Recuperação de Crédito das Empresas (28/11/2025).

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