Relatórios gerenciais: o que são e quais montar
Relatórios gerenciais são relatórios internos que a empresa monta para decidir, sem formato fixado em lei. Cinco deles cobrem o financeiro de qualquer porte: DRE gerencial, fluxo de caixa, orçado x realizado, aging e painel de indicadores, cada um com cadência e dono.

Relatórios gerenciais são relatórios internos feitos para uma decisão, e não para cumprir uma obrigação legal
Na empresa, a palavra relatórios cobre dois mundos que costumam ser confundidos. De um lado estão as demonstrações contábeis, exigidas em lei ao fim de cada exercício: na sociedade anônima, a Lei 6.404/1976 (art. 176) pede balanço patrimonial, demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados, demonstração do resultado do exercício, demonstração dos fluxos de caixa e, na companhia aberta, demonstração do valor adicionado; nas demais empresas, o Código Civil (art. 1.179) exige ao menos o balanço patrimonial e o de resultado econômico. Elas seguem norma e olham para o ano fechado.
Os relatórios gerenciais, também chamados de relatórios de gestão, são desenhados pela própria empresa, na periodicidade que quiser, para responder a uma pergunta de quem decide. Como nenhuma norma fixa o formato, o risco é sobrar relatório que ninguém lê, e a régua que organiza o resto do artigo é um relatório, uma decisão, um dono: se o número muda e nenhuma decisão muda com ele, o relatório pode sair da rotina.
| Critério | Demonstração contábil | Relatório gerencial |
|---|---|---|
| Obrigatoriedade | Exigida em lei Lei 6.404/1976 e Código Civil | Voluntário |
| Formato | Definido por norma contábil | Definido pela empresa |
| Periodicidade | Anual, ao fim do exercício | Diária, semanal ou mensal, conforme a decisão |
| Recorte | Empresa como entidade jurídica | Unidade, projeto, centro de custo, cliente |
| Pergunta que responde | Qual foi o resultado do exercício? | O que fazer agora com o caixa, o custo ou a carteira? |
Cinco relatórios gerenciais cobrem as decisões financeiras de qualquer empresa, do Simples ao Lucro Real
Relatórios de vendas, estoque ou RH variam de um negócio para outro, mas o núcleo financeiro se repete em quase todo relatório de empresa, porque as decisões se repetem: quanto a operação gera de resultado, se o caixa aguenta as próximas semanas, onde o gasto fugiu do plano, quem está devendo e se a empresa melhorou contra o mês anterior.
| Relatório | Pergunta que responde | Cadência | Dono | Quem decide |
|---|---|---|---|---|
| 1. DRE gerencial | Quanto cada unidade, projeto ou cliente gerou de margem? | mensal | Controladoria | Diretoria e sócios |
| 2. Fluxo de caixa | O caixa cobre os pagamentos das próximas semanas? | diária | Tesouraria | Diretor financeiro |
| 3. Orçado x realizado | Onde o gasto ou a receita saíram do plano, e por quê? | mensal | FP&A ou controladoria | Gestor de cada centro de custo |
| 4. Aging | Quem atrasou, há quanto tempo e o que vence a pagar? | semanal | Contas a receber e a pagar | Tesouraria e comercial |
| 5. Painel de indicadores | A empresa está melhor ou pior que no mês anterior? | mensal | Diretor financeiro | Diretoria |
Na empresa pequena, uma pessoa acumula vários desses papéis sem mudar a lógica: o dono responde pelo número certo e no prazo, e quem decide age sobre ele. O relatório sem dono é o que sai atrasado e sem ninguém para explicar o desvio.
Na DRE gerencial, uma receita 5% abaixo do orçado pode virar um EBITDA 26,5% abaixo, e o orçado x realizado mostra onde
A DRE gerencial (relatório 1) reorganiza receitas e despesas pela lógica da gestão: por unidade de negócio, projeto, filial ou cliente, separando custo fixo de variável. O orçado x realizado (relatório 3) põe ao lado de cada linha o valor planejado e calcula o desvio. Os dois saem do mesmo fechamento, e o desvio só tem leitura quando a linha tem um responsável que o explique.
No exemplo ilustrativo abaixo, a receita ficou 5,0% abaixo do orçado e a margem bruta caiu 8,3%. Ao mesmo tempo, as despesas comerciais ficaram 8,3% acima do plano. Somados, os dois efeitos levaram o EBITDA a 26,5% abaixo do orçado; só a queda de receita, com as despesas no plano, teria deixado o EBITDA 19,6% abaixo.
| Linha da DRE gerencial (R$ mil) | Orçado | Realizado | Desvio | Desvio % |
|---|---|---|---|---|
| Receita líquida | 1.200 | 1.140 | -60 | -5,0% abaixo |
| Custo dos serviços | 720 | 700 | -20 | -2,8% |
| Margem bruta | 480 | 440 | -40 | -8,3% |
| Despesas comerciais | 96 | 104 | +8 | +8,3% acima |
| Despesas administrativas | 180 | 186 | +6 | +3,3% |
| EBITDA | 204 | 150 | -54 | -26,5% abaixo |
Por isso o orçado x realizado se lê por linha: a pergunta útil é por que a despesa comercial subiu enquanto a receita caiu, e ela tem um gestor para responder. A conta do EBITDA e o desenho do orçamento, inclusive pelo método de orçamento base zero, definem as linhas que o relatório vai comparar.
O fluxo de caixa é o único relatório gerencial que perde valor em um dia, por isso a atualização é diária
O fluxo de caixa gerencial (relatório 2) é diferente da demonstração dos fluxos de caixa exigida em lei: a contábil olha para trás e separa as variações em operações, investimentos e financiamentos, enquanto a gerencial projeta os saldos de todas as contas bancárias contra os pagamentos e recebimentos previstos.
Como o saldo muda a cada liquidação, o relatório de ontem já não diz se o pagamento de amanhã cabe no caixa. A tesouraria atualiza o realizado todo dia, a partir dos extratos conciliados, e revisa a projeção toda semana; o horizonte de 13 semanas é o mais usado porque dá tempo de negociar prazo com fornecedor ou contratar crédito antes de o saldo ficar negativo.
O aging deve ser semanal porque dívida recente se recupera mais: 43,7% contra 19,0% das vencidas há mais de um ano
O aging distribui os títulos por faixa de vencimento: a vencer, até 30 dias, de 31 a 90 dias e acima de 90 dias. Aplicado ao que a empresa tem a receber, mostra quais clientes atrasaram e há quanto tempo. Aplicado ao que ela tem a pagar, mostra o que vence na semana e o que já está em atraso com fornecedores.
Dívidas de empresas negativadas em julho de 2025, com recuperação medida até setembro de 2025. Fonte: Serasa Experian, Indicador de Recuperação de Crédito das Empresas, comunicado de 28/11/2025, consultado em 22/10/2026.
Segundo o Indicador de Recuperação de Crédito das Empresas da Serasa Experian, a dívida negativada com até 30 dias de vencimento foi paga ou renegociada em até 60 dias 2,3 vezes mais que a vencida havia mais de um ano. Um aging mensal descobre o atraso com até quatro semanas de defasagem; o semanal faz o contato começar enquanto a chance de receber ainda é alta. Faixas, índice e prazo médio de recebimento estão no artigo sobre inadimplência.
O painel de indicadores funciona com 8 a 12 números, cada um comparado ao mês anterior e à meta
O painel de indicadores (relatório 5) resume os outros quatro para a diretoria: margem bruta e margem EBITDA, saldo e semanas de caixa projetadas, desvio do orçamento, índice de inadimplência, prazos médios de recebimento e de pagamento e endividamento. A faixa de 8 a 12 indicadores é uma referência prática, e não uma norma: acima disso, o painel deixa de apontar onde olhar.
A "margem de 13%" isolada não orienta decisão; "13%, contra 17% orçados e 15% no mês anterior" já diz que o problema vem piorando. A escolha dos indicadores e as fórmulas de cada um estão no artigo sobre KPI no financeiro.
Com a conciliação em dia, os cinco relatórios gerenciais podem sair em sete dias úteis depois do fim do mês
A ordem importa porque os relatórios dependem uns dos outros. A conciliação bancária vem primeiro, já que uma DRE gerencial sobre lançamentos não conciliados só repete o erro com mais formatação. Depois, a controladoria fecha a DRE, o FP&A compara com o orçamento e colhe as justificativas, e o painel consolida tudo para a reunião de resultado, enquanto fluxo de caixa e aging correm em paralelo.
Calendário ilustrativo; DU = dia útil após o fim do mês. Os prazos dependem do volume de lançamentos, do número de contas bancárias e do grau de automação do fechamento.
Para montar a rotina do zero, quatro decisões resolvem a maior parte do trabalho:
Fonte única: todos os relatórios partem da mesma base conciliada, para que a receita da DRE seja a mesma do painel.
Estrutura estável: plano gerencial de contas e centros de custo definidos antes do orçamento e mantidos entre meses.
Prazo de entrega: um dia útil fixo para cada relatório.
Dono nomeado: uma pessoa que responde pelo número e pelo desvio.
Essa rotina é o centro do trabalho de FP&A, o planejamento e análise financeira.
Como a Paggo gera a DRE gerencial e o orçado x realizado a partir das transações
Os cinco relatórios dependem de lançamentos conciliados e categorizados. A Paggo é uma plataforma de performance financeira que reúne em um só lugar os saldos de todas as contas, o contas a pagar com fluxos de aprovação e a Controladoria, o módulo de orçamento e resultado gerencial.
No módulo de Controladoria, a DRE gerencial é atualizada a cada transação, o orçado x realizado pode ser consultado a qualquer momento por projeto ou categoria gerencial, os resultados podem ser comparados entre empresas do grupo, e pagamentos que ultrapassam o limite orçado são sinalizados para revisão antes de serem executados.
Perguntas frequentes sobre relatórios gerenciais
O que é um relatório de gestão?
É outro nome para relatório gerencial: um documento interno que organiza dados da operação para apoiar uma decisão. Não se confunde com o relatório da administração, que a Lei 6.404/1976 (art. 133) exige das sociedades anônimas sobre os negócios e os principais fatos do exercício.
Relatório empresarial e relatório gerencial são a mesma coisa?
Relatório empresarial é um termo mais amplo, que inclui documentos para o público externo, como demonstrações contábeis e relatórios a investidores. O gerencial é a parte feita para uso interno.
Qual a diferença entre DRE gerencial e DRE contábil?
A DRE contábil segue a norma e o regime de competência, para a empresa como um todo. A DRE gerencial pode abrir o resultado por unidade, projeto ou cliente, separar custo fixo de variável e excluir itens não recorrentes, desde que os critérios sejam mantidos de um mês para o outro.
O que deve conter um relatório gerencial?
A pergunta que ele responde, o período e a data de corte, a fonte dos dados, a comparação com mês anterior, meta ou orçamento, e o responsável pelas explicações. Sem base de comparação, o número não diz se é bom ou ruim.
Dá para fazer relatórios gerenciais em planilha?
Sim, e muitas empresas começam assim. O limite aparece quando os dados vêm de várias contas bancárias e de exportações manuais do ERP: cada fechamento exige recolar a base, e surgem duas versões do mesmo número.
Quem é responsável pelos relatórios gerenciais?
Em geral, o controller responde pela DRE gerencial e pelo orçado x realizado, a tesouraria pelo fluxo de caixa e as áreas de contas a receber e a pagar pelo aging. Na empresa pequena, o responsável financeiro acumula as funções.
Quais relatórios gerenciais uma pequena empresa deve ter primeiro?
Fluxo de caixa e aging de contas a receber, porque protegem o caixa no curto prazo e dependem só de extratos e títulos. A DRE gerencial mensal vem em seguida, quando as despesas já estão categorizadas de forma estável.
Fontes consultadas
Lei 6.404/1976 (Lei das S.A.): demonstrações financeiras obrigatórias (art. 176) e relatório da administração (art. 133).
Serasa Experian: Indicador de Recuperação de Crédito das Empresas (28/11/2025).
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