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DRE: o que é e como fazer a demonstração do resultado

A DRE (Demonstração do Resultado do Exercício) é o relatório contábil que mostra se a empresa teve lucro ou prejuízo no período, partindo da receita bruta e descontando deduções, custos, despesas e tributos até chegar ao lucro líquido.

Equipe Paggo

Atualizado em

Leitura de 10 min
Colagem com uma calculadora financeira HP 12C, representando a apuração do resultado na demonstração do resultado do exercício

O que é DRE: o relatório que explica como a receita do período virou lucro ou prejuízo

A sigla DRE significa Demonstração do Resultado do Exercício, também chamada de demonstrativo de resultado. É uma das demonstrações contábeis obrigatórias e responde a uma pergunta: quanto a empresa ganhou ou perdeu num período, e em que etapa o dinheiro faturado ficou pelo caminho. Em inglês, o relatório é o income statement, ou P&L (profit and loss).

Diferentemente do extrato bancário, a DRE segue o regime de competência: a receita entra no mês da venda e a despesa no mês em que é incorrida, independentemente de quando o dinheiro entra ou sai. Por isso a DRE mostra desempenho econômico, enquanto o caixa mostra liquidez.

Estrutura da DRE: cinco degraus levam a receita bruta ao lucro líquido, e no exemplo só R$ 7,50 de cada R$ 100 faturados sobram

A forma mais útil de ler a estrutura da DRE é em cinco degraus. Cada degrau tira uma parte da receita e termina num subtotal, e cada subtotal dividido pela receita líquida vira uma margem. A tabela aplica a estrutura a uma empresa ilustrativa com faturamento bruto de R$ 10 milhões no ano.

DegrauLinha da DRER$ mil% da receita líquida
1Receita bruta de vendas e serviços10.000
1(-) Devoluções, descontos incondicionais e tributos sobre vendas(1.500)
1(=) Receita líquida8.500100,0%
2(-) Custo das mercadorias, produtos ou serviços vendidos (CMV, CPV, CSP)(4.675)55,0%
2(=) Lucro bruto3.82545,0% margem bruta
3(-) Despesas com vendas(1.020)12,0%
3(-) Despesas gerais e administrativas(1.360)16,0%
3(-) Outras receitas e despesas operacionais(45)0,5%
3(=) Resultado operacional (antes do resultado financeiro)1.40016,5% margem operacional
4(+) Receitas financeiras1201,4%
4(-) Despesas financeiras(420)4,9%
4(=) Resultado antes do IR e da CSLL1.10012,9%
5(-) IR e CSLL(350)4,1%
5(=) Lucro líquido do exercício7508,8% margem líquida

No degrau 1 saem os tributos sobre a venda, como ICMS, ISS e PIS e COFINS. No degrau 2, o custo é o que a empresa gastou para produzir ou comprar o que vendeu; no comércio, o CMV é o estoque inicial mais compras menos o estoque final. O degrau 3 reúne comissões, aluguel, folha administrativa e as provisões do período. O degrau 4 traz juros pagos e recebidos, e o degrau 5 os tributos sobre o lucro e, nas S.A., as participações.

Da receita bruta ao lucro líquido na DRE da empresa ilustrativa, em R$ mil
Receita e subtotais
O que cada degrau desconta
Lucro líquido
10.000 -1.500 8.500 -4.675 3.825 -2.425 -300 -350 750 Receita bruta Deduções Receita líquida Custos Lucro bruto Despesas operacionais Resultado financeiro IR e CSLL Lucro líquido

Exemplo ilustrativo; IR e CSLL estimados sem adições ou exclusões. O art. 187 da Lei 6.404/1976 lista as despesas financeiras entre as operacionais; aqui o resultado financeiro vem depois do resultado operacional, para separar a operação do efeito da dívida.

A depreciação fica distribuída entre custos e despesas; somada de volta ao resultado operacional, ela leva ao EBITDA.

Como fazer a DRE: seis passos, e a qualidade do resultado depende mais da classificação dos lançamentos do que da conta final

Montar a DRE é somar lançamentos já classificados; o trabalho real está em garantir que cada lançamento esteja no mês e na linha certos.

  1. 1
    Defina o período e a competência. Registre receitas e despesas pela data do fato, não do pagamento.
  2. 2
    Ligue o plano de contas às linhas da DRE. Uma classificação contábil errada move valor entre custo e despesa e distorce a margem bruta.
  3. 3
    Apure receita bruta e deduções a partir das notas fiscais emitidas, descontando cancelamentos, devoluções e tributos destacados.
  4. 4
    Calcule o custo do que foi vendido pelo inventário de estoques ou, em serviços, pela mão de obra e pelos insumos apropriados.
  5. 5
    Lance despesas, provisões e resultado financeiro, com juros e rendimentos conferidos na conciliação bancária.
  6. 6
    Apure IR e CSLL e confira se o lucro líquido da DRE é o mesmo resultado que fecha o balancete.

Como analisar a DRE: no exemplo, as despesas operacionais consomem 28,5 pontos da margem bruta de 45%

A análise de DRE começa pelas margens. A margem bruta (lucro bruto sobre receita líquida) mede o poder de preço e o custo do que se vende; a operacional, quanto sobra depois de manter a estrutura; a líquida, o que fica para os sócios depois de juros e tributos.

Margens da DRE da empresa ilustrativa, em % da receita líquida
Margem bruta 45,0 Margem operacional 16,5 28,5 pontos a menos que a margem bruta Margem antes do IR 12,9 Margem líquida 8,8

Exemplo ilustrativo, com os mesmos números da tabela de estrutura. Escala da barra cheia: 50%.

A distância entre duas margens aponta onde agir. No exemplo, a estrutura administrativa e comercial leva 28,5 pontos, contra 3,5 pontos de juros líquidos e 4,1 pontos de tributos sobre o lucro. Um corte de 10% nas despesas operacionais rende R$ 242,5 mil antes dos tributos, o equivalente a 81% de toda a despesa financeira líquida do ano.

Duas técnicas completam a leitura. A análise vertical expressa cada linha como percentual da receita líquida, como na última coluna da tabela. A análise horizontal compara a mesma linha entre períodos: se a receita cresceu 10% e as despesas administrativas 18%, a margem operacional encolhe mesmo com faturamento maior.

DRE contábil e DRE gerencial partem dos mesmos lançamentos, mas a gerencial sai todo mês e abre o resultado por unidade

A DRE contábil segue a lei e o CPC e serve a sócios, bancos, auditoria e administração tributária. A gerencial usa os mesmos lançamentos num formato definido pela empresa, que pode isolar efeitos não recorrentes e comparar o realizado com o orçamento.

AspectoDRE contábilDRE gerencial
RegraLei 6.404/1976 e CPCDefinida pela gestão
FrequênciaAnual por obrigação; nas abertas, também trimestral, pelo ITR da Resolução CVM 80Mensal ou semanal
RecorteEmpresa como um todoUnidade, projeto, produto, centro de custo
UsoPrestação de contas e tributosDecisão de preço, custo e orçamento

Os modelos de DRE gerencial e os demais relatórios do fechamento estão no artigo sobre relatórios gerenciais.

DRE e fluxo de caixa: uma venda de dezembro com prazo de 60 dias entra no lucro de dezembro e no caixa de fevereiro

A DRE e a DFC (demonstração dos fluxos de caixa) olham o mesmo negócio por regimes diferentes. A DRE responde se a operação dá lucro; o fluxo de caixa responde se haverá dinheiro para pagar as contas na data. A empresa do exemplo pode fechar o ano com lucro de R$ 750 mil e faltar caixa em março, se vendeu a prazo, aumentou estoque ou teve dívida vencendo.

Algumas linhas aparecem só de um lado. A depreciação reduz o lucro e não sai do caixa. A amortização do principal de um empréstimo sai do caixa e não passa pela DRE, que só registra os juros. A compra de uma máquina sai do caixa de uma vez e chega ao resultado aos poucos, pela depreciação. Por isso as duas precisam ser lidas juntas, todo mês.

Como a Paggo ajuda a fechar a DRE gerencial todo mês

Os passos que mais atrasam a DRE são a classificação dos lançamentos e a conferência com os extratos de vários bancos. A Paggo é uma plataforma financeira que reúne os extratos de todos os bancos via Open Finance e se integra ao ERP da empresa: concilia os extratos, liga cada pagamento e recebimento ao documento fiscal e organiza os lançamentos nas linhas da DRE gerencial, por empresa ou centro de custo. A mesma base alimenta a projeção de caixa, para ler resultado e liquidez lado a lado. Os detalhes estão na página de Controladoria.

Entenda como a Paggo pode montar a DRE gerencial da sua empresa a partir dos lançamentos já conciliados com os bancos.

Perguntas frequentes sobre DRE

DRE é obrigatória para toda empresa?

Para toda sociedade empresária, sim, pelo Código Civil e, nas S.A., pela Lei 6.404/1976. A dispensa vale para o pequeno empresário, na prática o MEI. Empresas do Simples Nacional podem adotar contabilidade simplificada (LC 123/2006, art. 27), mas continuam apurando o resultado.

Qual a diferença entre DRE e balanço patrimonial?

O balanço patrimonial mostra bens, direitos, obrigações e patrimônio líquido numa data. A DRE mostra como receitas e despesas de um período geraram o lucro ou o prejuízo, que depois altera o patrimônio líquido do balanço.

Com que frequência a DRE deve ser feita?

A lei exige ao menos uma DRE anual, ao fim do exercício social. Para gestão, o padrão é a DRE mensal, porque um desvio de margem descoberto só no fim do ano já consumiu onze meses de resultado.

Qual é a diferença entre custo e despesa na DRE?

Custo é o gasto ligado diretamente ao que foi vendido, como mercadoria e matéria-prima, e fica acima do lucro bruto. Despesa é o gasto para manter a empresa e vender, como aluguel e comissões, e fica abaixo dele.

A DRE mostra o EBITDA?

Não diretamente. O EBITDA não é linha obrigatória da DRE; é calculado a partir dela, somando ao resultado operacional a depreciação e a amortização embutidas em custos e despesas.

Como saber se a DRE está correta?

Confira se o lucro da DRE é igual ao resultado do balancete, se a receita bruta bate com as notas fiscais emitidas no período e se juros e rendimentos batem com os extratos conciliados.

Fontes consultadas

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