Veja como a Paggo apoia sua empresa na transição para a Reforma Tributária. Saiba mais

Provisão contábil: o que é e como registrar

Provisão é o passivo que a empresa reconhece hoje por uma obrigação que já existe, mas cujo valor ou data de pagamento ainda é incerto. A despesa correspondente reduz o lucro no período em que o fato acontece, e o dinheiro só sai do caixa quando a obrigação é paga.

Equipe Paggo

Atualizado em

Leitura de 10 min
Colagem com um analista diante de pilhas de papéis, representando o registro e a revisão das provisões contábeis no fechamento

O que é provisão: uma obrigação que já existe, com valor ou data ainda incertos

No dicionário, provisão é aquilo que se reserva para uso futuro. Na contabilidade, o significado é mais estreito: segundo o Pronunciamento Técnico CPC 25 (item 10), equivalente à IAS 37, provisão é um passivo de prazo ou de valor incertos. A empresa já deve algo por causa de um fato passado, como uma venda com garantia ou um processo trabalhista, mas ainda não sabe quanto vai pagar ou quando.

Provisionar é constituir a provisão; provisionamento é a rotina de identificar, estimar e registrar essas obrigações; um valor provisionado é o que já está no passivo, à espera do pagamento. A grafia “previsionado” é um erro comum.

  • A provisão nasce de um fato passado, nunca de um gasto apenas planejado.
  • Ela entra como despesa no resultado e como passivo no balanço, no mesmo lançamento.
  • O caixa só é afetado quando a obrigação é liquidada, às vezes anos depois.
  • No IRPJ e na CSLL, a maior parte das provisões só vira dedução quando a perda se realiza.

Três testes do CPC 25 separam provisão, passivo contingente e reserva

O item 14 do CPC 25 condiciona o reconhecimento a três perguntas, e a resposta precisa ser “sim” em todas. A obrigação pode ser legal ou não formalizada, como uma política pública de troca de produtos, e “provável” significa, pelo item 23, mais provável que sim do que não. Quando a obrigação é apenas possível, ou provável sem estimativa confiável, ela é um passivo contingente: fica fora do balanço e aparece em nota explicativa (itens 27, 28 e 86).

Teste de reconhecimento de provisões pelo CPC 25
1. Há obrigação presente, gerada por evento passado? sim 2. A saída de recursos é provável (mais que sim do que não)? sim 3. O valor pode ser estimado com confiabilidade? sim Provisão despesa no resultado e passivo no balanço não não não Passivo contingente (obrigação possível, ou presente que falha no teste 2 ou 3): fica fora do balanço e vai para nota explicativa, salvo saída remota ou nenhuma obrigação possível (aí, nada a registrar)

Fonte: CPC 25, itens 10, 14, 23, 27, 28 e 86, consultado em 21/10/2026 no portal da CVM.

A reserva fica fora desse fluxo porque não é despesa. A reserva para contingências do art. 195 da Lei 6.404/1976 é uma destinação do lucro líquido aprovada pela assembleia, registrada no patrimônio líquido, sem passar pelo resultado. O CPC 25 ainda veda provisão para perdas operacionais futuras (item 63) e o uso de uma provisão para pagar despesa diferente da que a originou (item 61).

Os tipos de provisões mais comuns nascem da folha, das vendas a prazo e dos processos

Em empresas de serviços, comércio ou indústria, quatro famílias de provisões aparecem no fechamento de quase todo mês.

TipoFato que gera a obrigaçãoComo se estimaNorma
Férias e 13º salárioCada mês trabalhado pelo empregado1/12 da remuneração por mês, mais 1/3 nas férias e encargosCPC 25, item 11; RIR/2018, arts. 342 e 343
Perdas de crédito esperadas (antiga PCLD)Venda a prazo já faturadaMatriz de perda histórica por faixa de atraso, ajustada a cenário futuroCPC 48, item 5.5
Contingências trabalhistas, fiscais e cíveisProcesso ou autuação sobre fato já ocorridoAvaliação jurídica da perda provável e do valorCPC 25
GarantiasProduto vendido com garantiaHistórico de reparos e trocas sobre as vendasCPC 25

O CPC 25 (item 11) trata férias e 13º como apropriações por competência, porque a incerteza de valor é pequena, embora a prática e a lei fiscal mantenham o nome “provisão”. Já a perda esperada com clientes é um ajuste que reduz um ativo, fora do escopo do CPC 25 (item 7); para contas a receber comerciais sem componente de financiamento significativo, o CPC 48 (item 5.5.15) manda medir a perda esperada para a vida inteira do crédito.

Como registrar uma provisão: débito em despesa, crédito no passivo e revisão a cada balanço

O lançamento segue as partidas dobradas da classificação contábil: a despesa é debitada no resultado e a provisão é creditada no passivo. No exemplo ilustrativo, uma empresa é citada em junho em uma reclamação trabalhista, e o jurídico avalia a perda como provável, com melhor estimativa de R$ 120 mil (CPC 25, itens 36 e 37). Em dezembro, a reavaliação exigida pelo item 59 eleva a estimativa para R$ 135 mil, e em março do ano seguinte, depois de aprovadas as demonstrações do ano, a empresa paga um acordo de R$ 110 mil.

MomentoDébitoCréditoValor
Jun: constituiçãoDespesa com provisão para contingências trabalhistasProvisão para contingências trabalhistas (passivo)R$ 120 mil
Dez: revisãoDespesa com provisão para contingências trabalhistasProvisão para contingências trabalhistas (passivo)R$ 15 mil
Mar: acordo pagoProvisão para contingências trabalhistasBancosR$ 110 mil
Mar: sobraProvisão para contingências trabalhistasReversão de provisão (resultado)R$ 25 mil

A sobra de R$ 25 mil volta ao resultado como reversão, porque a provisão não pode ficar no passivo sem obrigação correspondente. Se o processo durar anos e o efeito do tempo for material, a provisão é registrada a valor presente (item 45).

A provisão sai do lucro meses antes de sair do caixa

No mesmo exemplo, o resultado absorve R$ 135 mil no primeiro ano sem que um real saia do banco, e o caixa só registra a saída de R$ 110 mil no ano seguinte, quando o resultado recebe R$ 25 mil de volta. Ao fim do ciclo, os dois lados somam os mesmos R$ 110 mil, em períodos diferentes.

Efeito de uma contingência trabalhista ilustrativa no resultado e no caixa, em R$ mil
Efeito no resultado (DRE)
Efeito no caixa
-120 0 -15 0 +25 -110 -110 -110 Jun: constituição Dez: revisão Mar: acordo pago Acumulado

Exemplo ilustrativo, sem efeito de impostos e sem atualização a valor presente. Critérios de mensuração e revisão: CPC 25, itens 36, 37, 59 e 61.

No DRE, a despesa de provisão costuma ficar entre as despesas operacionais e, por isso, reduz o EBITDA, que exclui só depreciação, amortização, juros e impostos sobre o lucro. Na demonstração dos fluxos de caixa pelo método indireto (CPC 03), a despesa é somada de volta ao lucro, porque não consumiu caixa.

Para a tesouraria, cada provisão relevante é um desembolso com data estimada: o 13º em novembro e dezembro, as férias conforme a escala, o acordo conforme o processo. Levar essas datas para a projeção de caixa de 13 semanas evita que um passivo conhecido apareça como surpresa no extrato.

No IRPJ e na CSLL, quase toda provisão é indedutível até a perda se realizar

O art. 13, I, da Lei 9.249/1995 veda, na apuração do lucro real e da base da CSLL, a dedução de qualquer provisão, com exceções fechadas. O RIR/2018 (Decreto 9.580/2018, art. 339) repete que só são dedutíveis as provisões expressamente autorizadas e estende a regra às perdas estimadas no valor de ativos.

ProvisãoDedutível ao constituir?Base legal
Férias e 13º salário, com encargossimLei 9.249/1995, art. 13, I; RIR/2018, arts. 342 e 343
Provisões técnicas de seguradoras, capitalização, previdência complementar e operadoras de planos de saúdesimRIR/2018, art. 340
Perda de estoques de livros (editor, distribuidor e livreiro)sim, 1/3 do estoqueRIR/2018, art. 341
Perdas de crédito esperadasnãoDeduz-se a perda efetiva nos critérios do art. 9º da Lei 9.430/1996 (RIR/2018, art. 347)
Contingências e garantiasnãoLei 9.249/1995, art. 13, I; deduz-se como despesa necessária quando o valor é pago ou a obrigação se torna definitiva (RIR/2018, art. 311)

No lucro real, a provisão indedutível é adicionada ao lucro na Parte A do e-Lalur, controlada na Parte B e excluída quando a obrigação é paga ou revertida. No exemplo, a empresa adiciona R$ 135 mil no primeiro ano e, com alíquota combinada de 34% (IRPJ de 15%, adicional de 10% sobre o lucro que passa de R$ 20 mil por mês e CSLL de 9%), recolhe cerca de R$ 45,9 mil a mais naquele ano; no seguinte, exclui os R$ 110 mil pagos e os R$ 25 mil revertidos. A diferença temporária pode gerar ativo fiscal diferido (CPC 32). No lucro presumido, a base é um percentual da receita, e a provisão não altera o imposto.

Como acompanhar provisões no DRE gerencial e na projeção de caixa

O cálculo da provisão é da contabilidade e do jurídico, mas o efeito no lucro do mês e no caixa dos meses seguintes é pergunta do financeiro, que precisa ver a despesa separada por natureza no DRE gerencial e, ao lado, a data provável do desembolso.

A controladoria da Paggo mantém o DRE gerencial e o orçado vs realizado atualizados a cada transação, com as despesas já classificadas por natureza, o que deixa a despesa de provisão visível no resultado do mês. Na mesma plataforma, a tesouraria reúne o saldo de todas as contas em um painel, e a conciliação devolve ao ERP a baixa de cada pagamento.

Entenda como a Paggo pode mostrar o resultado gerencial e o saldo das contas da sua empresa em um só lugar.

Perguntas frequentes sobre provisões

Qual a diferença entre provisão e previsão?

Provisão é o registro contábil de uma obrigação que já existe, com valor ou prazo incerto. Previsão é uma estimativa de orçamento sobre receitas e gastos futuros, sem lançamento no balanço. Por isso, o valor registrado é “provisionado”, não “previsionado”.

Provisão é ativo ou passivo?

Pelo CPC 25, provisão é sempre passivo. O que o mercado chama de “provisão ativa”, como a perda esperada com clientes ou a depreciação, é um ajuste que reduz o valor de um ativo e segue normas próprias, como o CPC 48 para recebíveis.

Como calcular a provisão mensal de férias e 13º salário?

Para um salário ilustrativo de R$ 6.000, o 13º gera R$ 500 por mês (1/12) e as férias geram R$ 666,67 (1/12 mais o terço constitucional). Sobre os dois valores entram os encargos que cabem à empresa, como INSS patronal e FGTS, conforme o art. 342, §3º, e o art. 343 do RIR/2018.

O que é reversão de provisão?

É a baixa da parte da provisão que deixou de ser necessária, porque o valor pago foi menor que o estimado ou porque a perda deixou de ser provável. O valor volta ao resultado do período, e, se a provisão foi adicionada no e-Lalur, a reversão é excluída da base do IRPJ e da CSLL.

Empresa do Simples Nacional ou do lucro presumido precisa provisionar?

Sim, se mantém contabilidade pelas normas brasileiras. A obrigação vem da norma contábil, não do regime tributário: pequenas e médias empresas podem aplicar a seção 21 do CPC PME (NBC TG 1000). O regime muda só o efeito no imposto, que no Simples e no presumido não depende da despesa registrada.

O que significa pagamento provisionado no extrato?

No internet banking, “pagamento provisionado” costuma indicar um débito agendado que ainda não foi efetivado e para o qual a conta precisa ter saldo na data. Provisionar um pagamento, nesse sentido, é garantir o recurso na conta, uma rotina de tesouraria diferente da provisão contábil.

Como funciona o provisionamento dos bancos?

Instituições financeiras seguem regra própria do Conselho Monetário Nacional. Desde 1º de janeiro de 2025, a Resolução CMN 4.966/2021 substituiu as faixas de risco da antiga Resolução 2.682/1999 por um modelo de perdas esperadas em três estágios, inspirado na IFRS 9, a mesma base do CPC 48.

Fontes consultadas

Veja o impacto disso no seu negócio

Fale com o time e descubra, em poucos minutos, onde a sua operação financeira pode ganhar eficiência com a Paggo.

Inscreva-se para receber conteúdos exclusivos no seu e-mail

Escolha se a Paggo pode usar cookies de terceiros. Você pode voltar aqui quando quiser pelo link no rodapé. Detalhes de cada cookie na Política de Cookies.