ROI: o que é e como calcular o retorno do investimento
ROI, ou retorno sobre o investimento, é o ganho de um projeto dividido pelo que ele custou. O resultado só orienta a decisão quando é lido junto com o prazo e com o que o mesmo dinheiro renderia em outra aplicação.

ROI: o que é e o que significa a sigla
ROI é a sigla de Return on Investment, em português retorno sobre o investimento (ou retorno do investimento). Ele expressa, em percentual, quanto a empresa ganhou ou perdeu em relação ao valor aplicado em um projeto, uma campanha, um equipamento ou um sistema. Segundo o material do Sebrae sobre ROI, o indicador mostra quanto a empresa está ganhando ou perdendo em cada investimento realizado.
Um ROI de 40% significa que, para cada R$ 1 investido, voltou o R$ 1 do capital e mais R$ 0,40 de ganho. Para quem cuida do financeiro, essa é a régua que permite colocar na mesma fila propostas de natureza diferente, como um sistema, uma máquina ou uma campanha, desde que o custo e o ganho tenham sido medidos do mesmo jeito. O que o ROI não informa é em quanto tempo o dinheiro volta, e é esse ponto que decide se o projeto cabe no caixa.
Fórmula do ROI: como calcular em quatro passos
O cálculo do ROI segue quatro passos: somar todo o custo do investimento, medir o ganho obtido no período e atribuível ao projeto, subtrair o custo do ganho e dividir o resultado pelo custo. Multiplicar por 100 transforma o número em porcentagem.
Fórmula do ROI: ROI (%) = (ganho obtido - investimento) ÷ investimento × 100. O ganho obtido é o valor total que voltou ao caixa, incluindo o capital investido.
O exemplo abaixo é ilustrativo. Uma empresa paga R$ 100.000 pela licença de um sistema, R$ 12.000 pela implantação e R$ 8.000 pelo treinamento da equipe, um custo total de R$ 120.000. No primeiro ano, o sistema gera R$ 168.000 entre horas de trabalho economizadas e receita adicional. A conta fica (168.000 - 120.000) ÷ 120.000 = 0,40, ou ROI de 40%.
| Componente | Valor | Papel na fórmula |
|---|---|---|
| Licença do sistema | R$ 100.000 | custo |
| Implantação | R$ 12.000 | custo |
| Treinamento | R$ 8.000 | custo |
| Investimento total | R$ 120.000 | denominador |
| Ganho obtido no ano | R$ 168.000 | numerador, antes de subtrair o custo |
| Resultado e ROI | R$ 48.000 ROI de 40% | 48.000 ÷ 120.000 |
Exemplo ilustrativo. O ROI de 40% é o resultado de R$ 48 mil dividido pelo investimento de R$ 120 mil.
O que entra no custo e no ganho do ROI
A maior parte dos erros de ROI nasce nas duas pontas da fórmula. No custo, entra tudo o que o projeto exigiu: o desembolso direto, a implantação, as horas internas dedicadas, a manutenção do período e o custo financeiro, quando houve captação. Custo esquecido infla o ROI e leva à aprovação de um projeto que não se paga. Parte desse gasto, como a licença e a implantação, costuma ser capex, o gasto que vira ativo. Outra parte, como treinamento e manutenção, é opex. Para o ROI, a distinção importa menos do que contar tudo o que o projeto exigiu.
No ganho, entra apenas o que o projeto gerou além do que a empresa já obteria sem ele, e medido em resultado, não em faturamento. A diferença muda o veredito. Imagine uma campanha de R$ 10.000 que levou a R$ 50.000 em vendas. Calculado sobre a receita, o ROI seria de 400%. Com margem de contribuição de 30%, o ganho real é de R$ 15.000, e o ROI cai para (15.000 - 10.000) ÷ 10.000 = 50%. A margem de contribuição que sustenta essa conta aparece no DRE gerencial, depois dos custos variáveis.
| Lado da fórmula | O que incluir | Erro mais comum |
|---|---|---|
| Investimento | Desembolso, implantação, horas internas, manutenção e custo de captação | Contar só a fatura do fornecedor |
| Ganho obtido | Economia e resultado adicional atribuíveis ao projeto | Usar receita bruta em vez de margem |
| Período | O mesmo intervalo para custo e ganho | Somar o ganho de 3 anos contra o custo de 1 ano |
O que é um ROI bom e o que é um ROI negativo
O sinal do resultado já classifica o projeto. ROI acima de zero indica que o investimento voltou ao caixa com ganho; ROI igual a zero, que a empresa apenas recuperou o capital; ROI negativo, que o projeto consumiu mais do que devolveu. Em fase de implantação, um ROI negativo no primeiro período é comum e não condena o projeto, desde que o ganho dos períodos seguintes cubra o custo.
Já a pergunta “qual é um ROI bom” não tem número único, porque depende do prazo e da alternativa. O piso é o que o mesmo dinheiro renderia em uma aplicação de risco menor, e a referência para isso é a taxa básica de juros, a Selic, cuja meta é definida pelo Copom do Banco Central. A taxa mínima de atratividade é a taxa que a empresa exige de um projeto, geralmente acima da Selic. Em um exemplo ilustrativo, com taxa mínima de 12% ao ano escolhida só para a conta, um ROI de 15% obtido em um ano supera a alternativa. O mesmo ROI de 15%, obtido em três anos, equivale a cerca de 4,8% ao ano e fica abaixo dela.
Limitações do ROI e o que usar junto
O ROI é uma razão entre dois valores e, por isso, não enxerga o tempo. Dois projetos com o mesmo percentual podem ter efeitos muito diferentes sobre o caixa. O próprio Sebrae lembra que o indicador não informa em quanto tempo o retorno acontece e pode deixar de fora custos indiretos e intangíveis, o que desaconselha usá-lo isoladamente.
O exemplo ilustrativo a seguir mostra o tamanho do problema. Os projetos A e B custam R$ 100.000 cada e devolvem R$ 150.000 no total, ambos com ROI de 50%. O projeto A recebe tudo ao fim de 12 meses. O projeto B recebe R$ 30.000 por ano durante cinco anos. Com taxa mínima de atratividade de 12% ao ano, o valor presente líquido (VPL) do projeto A é de R$ 33.900, contra R$ 8.100 do projeto B.
Exemplo ilustrativo. VPL de A: 150.000 ÷ 1,12 - 100.000. VPL de B: 30.000 por ano durante cinco anos, descontados a 12%, menos 100.000.
Três indicadores cobrem o que o ROI deixa de fora, e cada um responde a uma pergunta que o financeiro precisa fazer antes de aprovar a verba.
| Indicador | Pergunta que responde | No exemplo dos projetos A e B |
|---|---|---|
| Payback | Em quanto tempo o investimento volta ao caixa? Com ganho igual em cada período, divide-se o investimento pelo ganho do período; com ganhos desiguais, soma-se o ganho até cobrir o investimento. | A recupera em 12 meses; B, em 3 anos e 4 meses (100.000 ÷ 30.000) |
| VPL | Quanto o projeto cria de valor depois de trazer os fluxos a valor presente pela taxa mínima? | A cria R$ 33.900; B cria R$ 8.100 |
| TIR | Qual é a taxa de retorno anual que zera o VPL e pode ser comparada com a taxa mínima? | Compara-se com os 12% ao ano exigidos |
O payback sai diretamente do fluxo de caixa projetado, e os três entram no painel de KPIs do financeiro ao lado do ROI. Há ainda dois cuidados de leitura. O primeiro é a inflação: um ganho distante no tempo compra menos, e o VPL embute esse efeito quando a taxa mínima é nominal, enquanto o ROI não. O segundo é a manipulação: como o resultado depende do que se conta como custo e como ganho, a empresa precisa fixar a regra antes de calcular e usá-la em todos os projetos.
De onde vêm os números do ROI no financeiro
O ROI é tão confiável quanto o custo e o ganho que entram nele. Os custos reais de um projeto estão espalhados em contas a pagar, adiantamentos e rateios, e o ganho aparece no resultado do centro de custo ou da unidade que recebeu o investimento. Quando esses dados vêm de planilhas separadas, o ROI calculado no início do projeto raramente é conferido no fim, e a empresa perde a chance de aprender com cada verba aprovada.
A Paggo é uma plataforma financeira que conecta o ERP da empresa aos bancos. O contas a pagar com fluxo de aprovação define quem autoriza cada desembolso do projeto, a conciliação importa os extratos dos bancos via Open Finance para confirmar o que foi pago, a projeção de caixa mostra quando o ganho entra e o DRE gerencial separa o resultado por projeto e apropriação gerencial. Com esses dados, o financeiro acompanha o custo realizado contra o orçado e calcula o payback a partir do caixa projetado e realizado, nas páginas de controladoria e de tesouraria. Veja também os relatórios gerenciais.
Perguntas frequentes sobre ROI
O que significa ROI?
ROI é a sigla de Return on Investment, ou retorno sobre o investimento. Indica, em percentual, quanto um investimento rendeu em relação ao valor aplicado: positivo quando há ganho, negativo quando há perda.
Como calcular o ROI de uma empresa?
Some todos os custos do projeto, meça o ganho que ele gerou no período e aplique a fórmula. Para uma empresa, o ganho deve ser o resultado incremental do projeto, e não o faturamento. Em um projeto de R$ 120.000 que devolve R$ 168.000 no ano, o ROI é de 40%.
Qual é a fórmula do ROI em porcentagem?
ROI (%) = (ganho obtido - investimento) ÷ investimento × 100. Com R$ 1.000 investidos e R$ 1.200 de retorno, o resultado é 0,20, ou 20%. Quem prefere partir do lucro pode dividir o lucro do investimento pelo custo, com o mesmo resultado.
O que é um ROI bom?
É o ROI que supera, no mesmo prazo, o que a empresa obteria em uma alternativa de menor risco, como a renda fixa atrelada à Selic. Um ROI de 15% em um ano pode ser bom, e os mesmos 15% em três anos podem ficar abaixo do mínimo exigido.
O que significa ROI negativo?
Significa que o investimento devolveu menos do que custou, ou seja, houve prejuízo no período medido. Em projetos de implantação longa, o ROI pode ficar negativo no começo e virar positivo quando o ganho acumulado cobre o custo.
Qual a diferença entre ROI, payback e TIR?
O ROI mede o quanto se ganha sobre o que se investiu. O payback mede em quanto tempo o investimento volta ao caixa. A TIR é a taxa anual de retorno que zera o valor presente do projeto. O ROI não considera o tempo, e os outros dois sim.
Como calcular o ROI mensal ou anual?
Use apenas o custo e o ganho do período escolhido. Para comparar projetos de prazos diferentes, converta o ROI para uma base anual ou prefira indicadores que consideram o tempo, como o VPL e a TIR. Somar ROIs de períodos diferentes não é correto, porque cada um é um percentual sobre uma base distinta.
Fontes consultadas
Sebrae: O que é ROI e como calcular (definição, fórmula, exemplos e limitações).
Banco Central do Brasil: taxa Selic, a taxa básica de juros.
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