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Contingência na NF-e: o que é e quando emitir

Contingência na NF-e é o modo de emissão usado quando um problema técnico impede transmitir a nota à SEFAZ ou receber a autorização de uso.

Equipe Paggo

Atualizado em

Leitura de 10 min
Colagem com um relógio, representando o prazo de 168 horas para transmitir a NF-e emitida em contingência

Contingência na NF-e: o que é e o que significa emitir nessa modalidade

Contingência é o conjunto de alternativas que o Ajuste SINIEF 7/2005 admite para emitir a NF-e quando problemas técnicos impedem transmitir o arquivo à SEFAZ da unidade federada do emitente ou obter a resposta de autorização de uso. Na prática, o sistema emissor troca o tipo de emissão do XML e a nota passa a circular com a marca da contingência, o que evita parar o faturamento e a expedição enquanto o serviço está fora do ar. O caminho normal, sem falha, está em como emitir a NF-e.

A nota emitida em contingência é considerada emitida, mas sob condição resolutória: ela só se torna definitiva quando recebe a autorização de uso posterior (cláusula décima primeira, § 12). O prazo para completar essa validação é o ponto de atenção do financeiro.

Fora do âmbito fiscal, o termo aparece em outros sentidos na mesma busca: o plano de contingência, que reúne medidas preparadas para uma emergência, e a provisão para contingências, o registro de perdas prováveis tratado em provisão contábil. Este artigo trata da contingência da NF-e e segue quatro momentos, que reaparecem ao longo do texto:

  1. Detectar se o problema é indisponibilidade técnica e não erro de preenchimento.

  2. Escolher a modalidade de contingência permitida para a operação e para a UF.

  3. Emitir o documento com a identificação exigida de contingência.

  4. Regularizar a nota dentro do prazo, com a SEFAZ já operando.

Quando emitir em contingência: indisponibilidade técnica, não erro de preenchimento

A contingência cabe quando algo impede a transmissão ou a resposta: a internet da empresa caiu, a SEFAZ de origem está fora do ar ou o tempo de resposta passou do razoável. Rejeição de validação é outro caso, porque a SEFAZ está respondendo e apontou um dado errado. A nota precisa ser corrigida e reenviada em emissão normal, já que a contingência só adiaria o problema para a regularização.

Antes de trocar a modalidade, vale consultar o painel de disponibilidade do Portal da NF-e, que mostra a situação de cada autorizador. Se o serviço da UF estiver normal, a falha é local.

Uma regra evita o retrabalho mais comum: o § 14 da cláusula décima primeira veda reutilizar, em contingência, o número de uma NF-e já transmitida com emissão normal. Por isso, conforme a orientação da Secretaria da Economia de Goiás, a nota transmitida sem resposta recebe nova numeração ao ser emitida em contingência.

As quatro modalidades de contingência da NF-e e seus prazos

A cláusula décima primeira do Ajuste SINIEF 7/2005 lista quatro alternativas, que mudam no local de autorização, no papel impresso e no prazo posterior.

ModalidadeComo funcionaDANFEPrazo para regularizar
SVC (SVC-AN ou SVC-RS)A nota é transmitida a uma Sefaz Virtual de Contingência, que autoriza e repassa à UF do emitentePapel comumsem retransmissão
EPECO emitente registra um evento prévio com chave de acesso, destinatário, valor e ICMS, e a nota é transmitida depoisPapel comum, em no mínimo duas viastransmitir em até 168 horas
FS-DAO DANFE é impresso em Formulário de Segurança (Convênio ICMS 96/09) e a nota é transmitida depoisFormulário de Segurança, em no mínimo duas viastransmitir em até 168 horas
Geração préviaPara operações em que caberia NFC-e e o contribuinte emite NF-e (§ 5º-D da cláusula nona), a nota é gerada em contingência e autorizada depoisDANFE Simplificado, com segunda via até a autorizaçãoaté o 1º dia útil seguinte
Prazo máximo para transmitir a nota à SEFAZ, contado da emissão, em horas
Prazo fixado em horas pelo § 7º da cláusula décima primeira
Prazo contado em dias úteis (comprimento ilustrativo)
SVC nenhuma retransmissão: a SVC repassa à UF EPEC 168 h (7 dias) FS-DA 168 h (7 dias) Geração prévia 1º dia útil seguinte

Prazos dos §§ 7º e 7º-A da cláusula décima primeira do Ajuste SINIEF 7/2005, contados da emissão. A barra da geração prévia não está em escala, porque o prazo depende do calendário de dias úteis. Fonte: texto consolidado no Confaz, consultado em 27/10/2026.

No XML, o campo tpEmis identifica, entre outros valores, a modalidade: 4 para EPEC, 5 para FS-DA, 6 para SVC-AN e 7 para SVC-RS.

SVC-AN e SVC-RS: a contingência que dispensa retransmissão

A Sefaz Virtual de Contingência funciona em dois ambientes, o Ambiente Nacional (SVC-AN), da Receita Federal, e o do Rio Grande do Sul (SVC-RS). Cada UF é atendida por um deles, e o Portal da NF-e publica a lista atualizada. Como a própria SVC repassa a nota autorizada à UF do emitente (§ 2º da cláusula décima primeira), não há retransmissão nem prazo de 168 horas.

A SVC não é automática. A SEFAZ de origem aciona o ambiente quando o serviço normal fica indisponível, e a empresa só pode usá-lo quando a consulta de status feita no ambiente da SVC devolver o código 107, “Serviço em Operação”, conforme a Nota Técnica 2013/007. Os códigos 113 e 114 indicam que a SVC está em processo de desativação ou foi desabilitada pela SEFAZ de origem.

EPEC e FS-DA: quando a nota precisa ser transmitida depois

No EPEC, o emitente transmite à Receita Federal um evento assinado digitalmente com os dados mínimos da operação (cláusula décima sétima-D, definida na Nota Técnica 2014/001). A nota é presumida emitida depois do recebimento regular do evento, e o DANFE, impresso em papel comum, leva a frase de que foi impresso em contingência com o EPEC regularmente recebido. Se o evento não for recebido, o DANFE é inábil (§ 4º), isto é, a mercadoria circula sem documento válido.

No FS-DA, o DANFE é impresso em papel de segurança, com a frase “DANFE em Contingência - impresso em decorrência de problemas técnicos”. Como exige o formulário em estoque, só funciona para quem o comprou antes da falha. Em AC, AL, AM, CE, MT, RJ, RS, RO, RR e SC, o § 13 permite o DANFE Simplificado em Contingência sem o formulário.

Desde 1º de outubro de 2026, o § 19 da cláusula décima primeira exclui a Paraíba e o Paraná do EPEC. Nessas UFs, o sistema emissor precisa estar parametrizado para usar outra modalidade, em especial a SVC.

O que significa nota emitida em contingência pendente de autorização

Uma nota emitida em contingência pendente de autorização é um documento já gerado e em circulação, mas ainda sem a autorização de uso da SEFAZ. Pela condição resolutória do § 12, se a autorização não vier, a nota perde efeito e a operação precisa ser refeita com outro documento. O motivo e a data e hora do início da contingência constam do DANFE (§ 11).

Para quem compra, o destinatário guarda o DANFE e, se depois do prazo não conseguir confirmar a autorização, deve comunicar a unidade fazendária (§§ 9º e 10). Antes de escriturar a nota e aprovar o pagamento, o financeiro pode consultar a autorização pela chave de acesso, no passo a passo de consulta da NF-e.

Como regularizar a NF-e depois da contingência

Esse é o quarto momento, e ele começa quando a SEFAZ volta a responder. A sequência de regularização é:

  1. Transmitir as notas pendentes. EPEC e FS-DA, em até 168 horas. Na geração prévia do varejo, até o primeiro dia útil seguinte.

  2. Tratar as rejeições. A nota rejeitada precisa de nova autorização e o DANFE deve ser reimpresso e entregue (§ 8º).

  3. Resolver as duplicidades. Cancelar as notas já autorizadas cuja operação foi registrada em contingência (cláusula décima primeira-A, I) e inutilizar a numeração das que não foram autorizadas nem denegadas (inciso II), no prazo da cláusula décima quarta, até o 10º dia do mês seguinte. A partir de 1º de novembro de 2026, o pedido de inutilização não se aplica a AC, BA e SP. O procedimento do cancelamento está em como cancelar uma nota fiscal.

  4. Guardar e conciliar. Arquivar o XML e o DANFE de cada nota e conferir, no ERP, se o faturamento do dia emitido em contingência bate com as autorizadas.

Atenção: o prazo de 168 horas conta da emissão, e não da volta do serviço. Para uma nota emitida no início de uma falha de dois dias, restam cinco dos sete dias quando o serviço volta.

Quanto custa ficar sem plano de contingência: exemplo com R$ 3 milhões de faturamento mensal

Sem modalidade definida, a SEFAZ fora do ar interrompe o faturamento. O exemplo usa uma empresa que fatura R$ 3 milhões por mês, em 22 dias úteis de 8 horas, e mostra quanto fica sem nota em uma falha de 4 horas.

Etapa do cálculoValorConta
Faturamento mensalR$ 3.000.000dado
Faturamento por dia útilR$ 136.3643.000.000 ÷ 22
Faturamento por horaR$ 17.045136.364 ÷ 8
Faturamento sem nota em uma falha de 4 horasR$ 68.18217.045,45 × 4, sem arredondar

O valor não desaparece, mas se desloca: a mercadoria sai mais tarde e a cobrança acompanha a emissão, o que adia a entrada no caixa. Exemplo ilustrativo, sem juros nem perda de venda. Com a SVC parametrizada no sistema emissor, a mesma falha custa só a conferência posterior.

O que o financeiro acompanha quando a nota sai em contingência

A contingência é decidida pela área fiscal e pela TI, mas o efeito aparece no caixa e na conciliação. O financeiro acompanha:

  • Notas em contingência em aberto, com o horário de emissão, para saber quanto falta até as 168 horas.

  • Diferença entre o faturamento do dia e as notas autorizadas, porque nota rejeitada vira receita sem documento.

  • Notas recebidas de fornecedores emitidas em contingência e ainda sem autorização confirmada.

A Central de Documentos da Paggo captura as notas fiscais eletrônicas na SEFAZ e as reúne no mesmo fluxo do contas a pagar, e o time financeiro revisa o documento antes de o lançamento seguir para o ERP.

Quer conferir as notas fiscais no mesmo fluxo em que o financeiro aprova e concilia os pagamentos?

Perguntas frequentes sobre contingência na NF-e

O que significa emissão em contingência?

Significa que a nota foi emitida por um caminho alternativo, previsto no Ajuste SINIEF 7/2005, porque um problema técnico impediu a emissão normal. O documento só se torna definitivo quando a autorização de uso é obtida.

Qual é a diferença entre SVC-AN e SVC-RS?

Têm a mesma função e mudam o operador: a SVC-AN é do Ambiente Nacional, da Receita Federal, e a SVC-RS é do Rio Grande do Sul. Cada UF é atendida por um deles.

Qual é o prazo para transmitir uma nota emitida em contingência?

Para EPEC e FS-DA, 168 horas contadas da emissão. Para a geração prévia do varejo, o primeiro dia útil seguinte. Na SVC não há retransmissão.

O que fazer se a nota emitida em contingência for rejeitada?

Corrigir, obter nova autorização e reimprimir o DANFE para entregar ao destinatário. O número só pode ser reaproveitado nas hipóteses limitadas do § 8º.

O EPEC acabou?

Não em todo o país. Desde 1º de outubro de 2026, o EPEC não se aplica à Paraíba e ao Paraná (§ 19 da cláusula décima primeira). Nas demais UFs, segue previsto.

Como saber se a SEFAZ está fora do ar?

O Portal da NF-e traz a situação de cada autorizador. Para usar a SVC, a consulta de status dela precisa devolver o código 107. Se a UF estiver normal, a falha provavelmente é local.

Fontes consultadas

  • Ajuste SINIEF 7/2005, texto consolidado.

  • Portal da NF-e: disponibilidade dos autorizadores.

  • Nota Técnica 2013/007: SVC.

  • Nota Técnica 2014/001: EPEC.

  • Secretaria da Economia de Goiás: NF-e em contingência.

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