DANFE: o que é, itens obrigatórios e o que muda em 2026

Publicado 8 set 2026 Leitura ~8 min

O DANFE (Documento Auxiliar da Nota Fiscal Eletrônica) é a folha impressa, em papel ou PDF, que acompanha a mercadoria no transporte. O DANFE existe para conferir a carga fisicamente e chegar até o XML pela chave de acesso de 44 dígitos.

Diferença entre o DANFE e a Nota Fiscal

Quando a nota fiscal deixou de ser um talão de papel e virou um arquivo eletrônico, abriu-se uma lacuna prática entre o controle físico e digital do documento. Em situações como uma fiscalização de mercadorias em uma estrada, é inviável, na prática, abrir o XML da nota e verificar o que ela compreende; nesse contexto se originou a DANFE, visando ser uma versão de fácil acesso e legível do arquivo digital, com os dados essenciais da circulação em uma folha.

Sendo assim, o documento fiscal, para todo efeito legal e tributário, é a NF-e, o XML assinado e autorizado pela SEFAZ. Já o DANFE é acessório: se ele rasgar, se perder ou nunca for impresso, a operação continua válida, pois a nota permanece no ambiente da Receita.

Um DANFE impresso e até assinado, sem uma NF-e autorizada por trás, não prova nada, e é justamente esse o vetor da fraude mais comum na cadeia de suprimentos: o papel com cara de nota que não tem XML nenhum embaixo.

Nota Fiscal e DANFE
O documento fiscal NF-e arquivo XML assinado autorizado pela SEFAZ gera o crédito tributário O documento auxiliar DANFE papel ou PDF acompanha a mercadoria não substitui a nota chave de acesso 44 dígitos

Fonte: Manual de Orientação do Contribuinte da NF-e e Ajuste SINIEF 07/2005.

Os itens obrigatórios do DANFE

O leiaute do DANFE é padronizado em âmbito nacional, e nenhum bloco dele é decorativo: cada campo cumpre uma função de conferência ou de fiscalização. Conhecer os campos oficiais do documento ajuda no dia a dia, porque a falta de um desses elementos costuma ser o primeiro sinal de que o papel é fraudulento.

ItemPara que serve na prática
Chave de acessoOs 44 dígitos e o código de barras. É o único item que permite verificar a existência e a validade da NF-e no portal da SEFAZ
CanhotoFaixa destacável assinada por quem recebe. É a prova de entrega em fiscalização e em auditoria
Natureza da operaçãoDiz o que é aquela circulação (venda, remessa, devolução) e define o tratamento fiscal
Data e hora de saídaMarca o início do trânsito e é o que o fiscal confronta na barreira
Detalhamento dos produtosItem a item, com quantidade, valor e classificação, para a conferência contra o que foi descarregado
Bloco de totais e tributosBase de cálculo e valor de cada tributo. É onde, desde 2026, aparecem IBS e CBS campo novo

Um ponto operacional que passa despercebido: a impressão em papel comum, em via única, é a regra para a maioria das operações. O DANFE não exige formulário de segurança nem várias vias, exceto em contingência.

Como emitir, consultar e chegar ao XML

O fluxo para emissão da DANFE se inicia a partir do momento que a empresa transmite a NF-e à SEFAZ, recebe o protocolo de autorização e só então o sistema gera o documento auxiliar a partir daquele XML.

Para consultar ou reimprimir uma nota que você recebeu, o caminho é a chave. Com os 44 dígitos, o Portal Nacional da NF-e mostra se o documento está autorizado, cancelado ou se simplesmente não existe.

Vale ainda separar três documentos que a mesma obra recebe e que costumam ser trocados. O DANFE é o auxiliar da NF-e e cobre mercadoria: cimento, aço, esquadria, louça. A NFS-e cobre serviço, é municipal e tem documento auxiliar próprio; quem presta serviço em campo emite pelo NFS-e Mobile.

O que muda no DANFE em 2026 com IBS e CBS

A reforma tributária, regulamentada pela LC 214/2025, criou grupos novos de campos na NF-e e na NFC-e para acomodar IBS, CBS e Imposto Seletivo, detalhados na Nota Técnica 2025.002. Esses campos aparecem no DANFE: o bloco de totais, que trazia ICMS e IPI, ganhou uma área para os tributos do novo sistema.

O cronograma dessa exigência tem uma particularidade que costuma gerar dúvidas. A regra que rejeitaria a emissão de documentos sem o preenchimento dos campos de IBS e CBS entraria em vigor em 3 de agosto de 2026. No entanto, dois dias antes, em 1º de agosto, a Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS publicaram o Ato Técnico Conjunto RFB/CGIBS nº 1/2026, suspendendo essa rejeição e adiando sua implementação.

Na prática, a SEFAZ continua autorizando os documentos mesmo quando esses campos não estão preenchidos. É importante destacar, porém, que apenas a rejeição automática foi suspensa, não a obrigatoriedade. O preenchimento dos campos de IBS e CBS continua sendo exigido e será implementado gradualmente, em cinco lotes, até 1º de janeiro de 2027.

O bloco de totais ganhou IBS e CBS. A rejeição por ausência foi adiada
Bloco de totais até 2025 Base de cálculo do ICMS Valor do ICMS Valor do IPI Valor total da nota Bloco de totais desde 2026 ICMS e IPI, em redução até 2033 CBS · 0,9% IBS · 0,1% Imposto Seletivo, quando aplicável Valor total da nota Em 2026 a alíquota é de teste e a apuração é informativa, mas o campo já existe.

Fonte: Nota Técnica 2025.002 da NF-e e NFC-e e Ato Técnico Conjunto RFB/CGIBS nº 1/2026. A alíquota de teste de 2026 soma 1%, sendo 0,9% de CBS e 0,1% de IBS.

O DANFE na obra: os três papéis de quem recebe

Na construção civil, a construtora recebe centenas de DANFEs por mês, muitas vezes diretamente no canteiro e fora do horário do financeiro. Por isso, o documento precisa fazer parte de um fluxo que vai além da conferência da entrega.

1. Conferir o material recebido

O almoxarife compara o que foi descarregado com os itens do DANFE, registra divergências e assina o canhoto. Em muitas obras, esse controle ainda depende de papel, anotações manuais e documentos guardados no próprio canteiro.

2. Comprovar a entrega

O canhoto assinado ajuda a resolver cobranças por materiais não recebidos e serve como evidência em auditorias. Se ele não chega ao financeiro, a empresa até tem a comprovação física, mas não consegue consultá-la quando precisa.

3. Garantir créditos de IBS e CBS

Os tributos destacados nas compras podem gerar créditos para compensar os débitos da venda das unidades. Para isso, o XML precisa ser capturado e vinculado ao empreendimento correto.

Quando a obra recebe o material, mas a nota não é conciliada com o XML, a construtora pode deixar de aproveitar um crédito tributário. Com o IBS e a CBS, a falta de controle documental deixa de ser apenas um problema operacional e passa a afetar o resultado do empreendimento.Detalhamos esse risco no artigo sobre controle de documentos.

Quer entender como os custos da sua obra podem virar crédito de IBS e CBS?

Perguntas frequentes

Pergunta frequente

Qual a diferença entre DANFE e nota fiscal?

A nota fiscal eletrônica é o arquivo XML assinado e autorizado pela SEFAZ, e é ele que constitui o documento fiscal e gera crédito. O DANFE é apenas a representação impressa desse arquivo, em papel ou PDF, criada para acompanhar a mercadoria e permitir a conferência da carga. Perder o DANFE não invalida a operação; um DANFE sem NF-e autorizada por trás não vale nada.

Pergunta frequente

Como consultar um DANFE pela chave de acesso?

Digite os 44 dígitos da chave no Portal Nacional da NF-e. A consulta mostra se a nota está autorizada, cancelada ou inexistente, além dos dados do emitente e do destinatário. É a forma mais rápida de confirmar que um documento recebido no canteiro corresponde a uma NF-e real, antes de liberar o pagamento.

Pergunta frequente

Como converter um XML em DANFE?

Qualquer emissor ou visualizador de NF-e gera o DANFE a partir do XML autorizado, para impressão ou PDF. O caminho inverso não existe: não se reconstrói o XML autêntico a partir de um DANFE. Por isso o que precisa ser guardado e importado no sistema é sempre o XML, não o papel.

Pergunta frequente

O que mudou no DANFE em 2026?

O bloco de totais passou a exibir os campos de IBS e CBS ao lado de ICMS e IPI, seguindo a Nota Técnica 2025.002. A rejeição automática de documentos sem esses campos, prevista para 3 de agosto de 2026, foi suspensa pelo Ato Técnico Conjunto RFB/CGIBS nº 1/2026 e remarcada; o preenchimento segue obrigatório, faseado até 1º de janeiro de 2027. A alíquota de 2026 é de teste, 0,9% de CBS e 0,1% de IBS, com apuração informativa.

Pergunta frequente

Existe DANFE de nota de serviço?

Não. O DANFE é o documento auxiliar da NF-e, que cobre a circulação de mercadorias. A nota fiscal de serviço eletrônica tem documento auxiliar próprio, no padrão nacional da NFS-e. Uma construtora recebe os dois: DANFE do material que chega ao canteiro e NFS-e dos serviços de empreiteiros e projetistas.

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Glossário rápido

DANFE
Documento Auxiliar da Nota Fiscal Eletrônica. É a representação gráfica simplificada da NF-e, em papel ou PDF, que acompanha a mercadoria no transporte. Não é a nota fiscal: serve para conferir a carga e para chegar ao XML pela chave de acesso.
Chave de acesso
Código numérico de 44 dígitos impresso no DANFE, junto com o código de barras. É por ele que se consulta a NF-e original no portal da SEFAZ e se confirma que o documento existe e está autorizado.
Canhoto
Faixa destacável no topo do DANFE, assinada por quem recebe a mercadoria. É a prova de entrega da carga e o documento que sustenta a empresa em fiscalização ou auditoria externa.
NF-e
Nota Fiscal Eletrônica. É o arquivo XML assinado digitalmente e autorizado pela SEFAZ, e é ele, e não o papel, que constitui o documento fiscal e gera o crédito tributário.
cClassTrib
Código de Classificação Tributária, de seis dígitos, que vincula cada item da nota à regra de tributação de IBS e CBS prevista na LC 214/2025.

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