Modelo de recibo de pagamento: como preencher e usar
O recibo de pagamento registra quem recebeu, de quem recebeu e qual obrigação foi quitada. Um texto genérico pode deixar dúvidas sobre parcelas, valores e serviços, mesmo quando a transferência já aconteceu. Veja modelos para adaptar, os campos que precisam ser conferidos e como guardar o recibo junto aos documentos da operação.

O que é recibo de pagamento e para que serve?
O recibo de pagamento é a declaração de quem recebeu um valor de que determinada obrigação foi paga. Ele pode comprovar a quitação de toda a dívida ou apenas de uma parcela, conforme o que estiver descrito. Por isso, expressões como “recebi o valor combinado” são menos úteis do que identificar o contrato, o período ou a parcela correspondente.
Os arts. 319 e 320 do Código Civil asseguram o direito à quitação regular e admitem o documento particular. O recibo não precisa de um formulário oficial. Precisa permitir que as partes entendam o que foi pago e quem reconheceu o recebimento.
Na rotina de contas a pagar, a função do recibo é diferente da função do comprovante bancário. O banco registra a movimentação do dinheiro; o recibo vincula o recebimento à obrigação. Guardar os dois facilita esclarecer uma cobrança posterior, um pagamento feito por terceiro ou uma parcela que permaneceu em aberto.
Quais informações colocar no recibo de pagamento?
Aos seis elementos do art. 320, o contas a pagar soma quatro campos de controle: CPF ou CNPJ das partes, valor por extenso, forma de pagamento e número sequencial.
Recibo ilustrativo, com dados fictícios. Os elementos 1 a 6 correspondem ao art. 320 do Código Civil (Lei 10.406/2002); os campos 7 a 10 são práticas de controle interno, sem exigência legal específica.
O parágrafo único do art. 320 admite a validade da quitação mesmo com a falta de um desses requisitos, quando os termos do documento ou as circunstâncias comprovarem o pagamento. Isso não é motivo para deixar campos em branco: na rotina da empresa, o melhor é emitir um recibo completo, que não dependa de uma discussão posterior sobre o que aconteceu.
A identificação do CPF ou CNPJ ajuda a distinguir pessoas com nomes parecidos. A referência ao contrato ou à parcela evita vincular o mesmo pagamento a duas cobranças. Já a forma de pagamento permite localizar a saída no extrato sem depender da memória de quem executou a transferência.
Modelos de recibo para diferentes situações
Os modelos de recibo abaixo podem ser copiados para o seu editor de texto. Depois, basta preencher os espaços em branco com os dados de cada pagamento.
Modelo 1 · recibo simples
Para pagamentos avulsos sem retenção: reembolso, sinal, devolução de caução.
RECIBO Nº ________/2026
Valor: R$ ______________
Recebi de ______________________ (nome ou razão social), CPF/CNPJ ________________, a importância de R$ ________ (________________________, valor por extenso), referente a ______________________ (descrição objetiva do que foi pago), paga por ____________ (Pix, TED ou boleto) nesta data, dando plena quitação do valor recebido.
______________________ (cidade/UF), ____ de ______________ de ______.
______________________________
Nome de quem recebeu, CPF/CNPJ
Modelo 2 · recibo de pagamento com referência a contrato
Vincula o recebimento a uma parcela específica. Se houver outras parcelas ou saldo pendente, deixe isso expresso.
RECIBO DE PAGAMENTO Nº ________/2026
Valor: R$ ______________
Pagador: ______________________ (razão social), CNPJ ________________.
Contrato ou acordo: ______________________ (identificação e data). Parcela: ____ de ____.
Vencimento: ____/____/______. Data do pagamento: ____/____/______. Forma de pagamento: ____________ (Pix, TED ou boleto).
Recebi a importância de R$ ________ (________________________, valor por extenso), referente à parcela acima.
Dou quitação exclusivamente da parcela acima, permanecendo em aberto as parcelas seguintes, se houver.
______________________ (cidade/UF), ____ de ______________ de ______.
______________________________
Nome de quem recebeu, CPF/CNPJ
Modelo 3 · recibo de prestador de serviços pessoa física
Para serviço prestado por autônomo pessoa física, o RPA pode documentar a remuneração e as retenções aplicáveis. Confira também as exigências fiscais do município e o enquadramento do prestador.
RECIBO DE PAGAMENTO A AUTÔNOMO (RPA) Nº ________/2026
Tomador: ______________________ (razão social), CNPJ ________________.
Prestador: ______________________ (nome completo), CPF ________________, NIT/PIS ________________, residente em ______________________________ (endereço completo).
Serviço prestado: ______________________ (descrição). Período: ____/____/______ a ____/____/______.
Valor bruto do serviço: R$ ________
(-) INSS retido: R$ ________
(-) IRRF: R$ ________
(-) ISS, se houver: R$ ________
Valor líquido pago: R$ ________
Declaro ter recebido o valor líquido de R$ ________ (________________________, valor por extenso), dando plena quitação pelo serviço descrito.
______________________ (cidade/UF), ____ de ______________ de ______.
______________________________
Assinatura do prestador
INSS, IRRF e ISS dependem do prestador, do regime da contratante e do município. A contabilidade confere as retenções antes do pagamento.
Em um pagamento parcial, não use uma declaração de quitação total do contrato. Por exemplo, se uma obrigação de R$ 5.000 recebeu um pagamento de R$ 2.000, o recibo deve identificar os R$ 2.000 recebidos e o saldo de R$ 3.000, se não houver outros ajustes. O mesmo cuidado vale para sinal, adiantamento e caução: a descrição deve indicar a finalidade do valor, sem tratá-lo como encerramento de toda a relação.
Como preencher o recibo e conferir o pagamento
Para preencher um recibo, siga os campos na ordem e confira cada um contra o comprovante bancário:
- 1Identifique as partes (campos 3 e 8). Razão social e CNPJ de quem paga, nome completo e CPF ou CNPJ de quem recebe. O dado deve bater com o cadastro de fornecedor e com o titular da conta de destino do pagamento.
- 2Escreva o valor duas vezes (campos 1 e 9). Em algarismos e por extenso, com centavos: R$ 3.200,50 vira “três mil e duzentos reais e cinquenta centavos”. Se houver divergência, corrija o documento antes da assinatura. Não use uma regra aplicável a cheques como solução automática para um recibo inconsistente.
- 3Descreva a dívida (campo 2). O que foi pago e a que contrato, parcela, orçamento ou competência se refere. “Serviços prestados” sozinho é insuficiente.
- 4Registre data, lugar e forma de pagamento (campos 4, 5 e 10). Diferencie a data do pagamento da data em que o recibo foi emitido, se forem diferentes, e a forma de pagamento deve permitir achar o lançamento no extrato.
- 5Colha a assinatura de quem recebeu e numere (campos 6 e 7). A assinatura é de quem recebe o dinheiro, não de quem paga. Assinatura eletrônica pode ser usada, desde que identifique quem assina e preserve a integridade do documento. A numeração deve seguir uma sequência que permita identificar e localizar o documento.
Quando exigir nota fiscal e quando usar RPA?
Recibo e nota fiscal documentam fatos diferentes. O recibo reconhece o recebimento; a nota fiscal registra uma operação sujeita às regras fiscais. Se a venda ou o serviço exige documento fiscal, o recibo não o substitui. A obrigação de emitir depende da operação e do enquadramento, e não apenas de o recebedor ter ou não CNPJ. Veja também os tipos de nota fiscal e como emitir.
Na contratação de autônomo pessoa física, o RPA organiza a remuneração bruta, as retenções cabíveis e o líquido pago. Antes do pagamento, a contabilidade deve conferir INSS, IRRF e eventual ISS, considerando limites, regime da contratante e legislação municipal. Não existe um conjunto único de percentuais que possa ser aplicado a todo prestador e a toda empresa.
Esquema simplificado. Retenções na fonte sobre notas de serviço de pessoa jurídica (IRRF, CSRF, INSS e ISS) seguem regras próprias por tipo de serviço e por município. O MEI é dispensado de emitir nota para pessoa física, mas obrigado quando o tomador é empresa (LC 123/2006). Confirme o enquadramento com a contabilidade.
| Situação | Documento a exigir | Por quê |
|---|---|---|
| Fornecedor com CNPJ vendendo material | NF-e | Operação sujeita ao ICMS; sem a nota, a despesa fica sem documento fiscal idôneo |
| Empresa ou MEI prestando serviço | NFS-e | Operação sujeita ao ISS; a nota é a base para as retenções na fonte |
| Autônomo sem CNPJ | RPA | Conferir contribuição previdenciária, IRRF e exigências municipais do caso |
| Locador pessoa física | recibo de aluguel | Locação tem tratamento documental próprio; o aluguel pago por empresa exige verificar eventual IRRF pela regra aplicável |
| Reembolso a colaborador | recibo simples | Acompanhado do comprovante original da despesa reembolsada |
Um erro comum é escolher o documento só depois de pagar. A conferência deve começar na contratação: quem é o prestador, qual serviço será executado, que documento ele emitirá e quais retenções precisam ser calculadas. Assim, o valor transferido já corresponde ao líquido correto, e o recibo descreve o pagamento que de fato ocorreu.
Como arquivar recibos no contas a pagar
O recibo deve ser localizado a partir do mesmo registro que reúne a obrigação, a aprovação e o pagamento. Para isso, vincule o arquivo ao fornecedor, à competência, ao centro de custo e à parcela. Um nome de arquivo como “recibo final” não resolve a conferência de várias despesas do mesmo prestador.
Na revisão do mês, compare valor e favorecido com o extrato e procure duplicidades: um recibo e uma nota da mesma operação não representam necessariamente duas contas a pagar. Quando houver divergência, registre o motivo e peça a correção ao responsável, mantendo as versões que expliquem o ajuste.
Recibo só protege a empresa vinculado ao pagamento: numeração única, aprovação pela alçada antes de pagar e conferência entre o CPF ou CNPJ do recibo e o titular da conta de destino.
A Paggo opera nesse ponto da rotina. A Central de Documentos recebe notas, boletos e recibos, associa cada documento à obrigação de contas a pagar correspondente, submete o pagamento à aprovação por alçada e mantém o documento ligado ao lançamento conciliado, o que deixa a trilha de auditoria pronta sem planilha paralela.
Perguntas frequentes sobre recibo de pagamento
Quem deve assinar o recibo?
Quem recebeu o pagamento, ou seu representante com poderes para dar quitação. A assinatura do pagador, sozinha, não equivale à declaração de recebimento do credor. Se outra pessoa receber em nome dele, identifique essa condição e confira a autorização.
Um comprovante de Pix substitui o recibo?
O comprovante ajuda a provar a transferência, mas pode não explicar a qual contrato ou parcela ela se refere. Quando essa identificação for necessária, peça a quitação correspondente e guarde os documentos juntos. Confira também se o comprovante registra uma transação concluída, e não apenas um agendamento.
Posso emitir o recibo depois da data do pagamento?
Sim, o documento pode reconhecer um pagamento que já ocorreu. Identifique a data real do pagamento e a data da emissão do recibo, sem inventar datas ou declarar um recebimento ainda não confirmado. Use o extrato ou outro comprovante para conferir o valor.
Como fazer um recibo de pagamento parcial?
Informe o valor recebido, a obrigação a que se refere e o saldo pendente, quando aplicável. Evite expressões de quitação total se parte da dívida continua aberta. Se houver juros, desconto ou abatimento, discrimine o ajuste para que o saldo possa ser conferido.
Recibo com assinatura eletrônica tem validade?
Pode ter. A identificação de quem assina e a integridade do documento precisam ser demonstráveis. Guarde o arquivo eletrônico e as evidências da assinatura; uma imagem de assinatura inserida no PDF, isoladamente, pode oferecer uma prova mais frágil do que um processo que registre autoria e integridade.
Recibo precisa de reconhecimento de firma?
O art. 320 do Código Civil admite quitação por instrumento particular, sem exigir reconhecimento de firma como regra geral. O conteúdo e a identificação de quem recebeu continuam essenciais. Formalidades adicionais podem ser combinadas pelas partes ou necessárias em situações específicas.
Por quanto tempo guardar os recibos?
O prazo depende da obrigação e do uso do documento. No Código Civil, a prescrição geral é de dez anos (art. 205), e a cobrança de dívida líquida constante de instrumento prescreve em cinco anos (art. 206, § 5º, I). Na área tributária, os documentos devem ser guardados até a prescrição dos créditos (CTN, art. 195), prazo que costuma passar de cinco anos contados da emissão. Por isso, não descarte todo recibo ao completar cinco anos. Defina a política de guarda com a contabilidade e preserve documentos relacionados a obrigações ou discussões ainda pendentes.
O MEI pode entregar recibo no lugar da nota fiscal?
O recibo pode comprovar o recebimento, mas não afasta uma obrigação de emitir nota. Em serviços prestados a pessoa jurídica, o MEI deve emitir NFS-e. Na venda de mercadorias a empresa, confira também a hipótese de emissão de nota de entrada pelo destinatário. Para pessoa física, aplicam-se as regras de dispensa e suas exceções.
Fontes consultadas
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