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Fim da escala 6x1: o impacto  financeiro nas empresas

O Congresso promulgou em 16 de outubro de 2026 a Emenda Constitucional 141, que acaba com a escala 6x1. A jornada máxima cai de 44 para 42 horas em 60 dias e para 40 horas um ano depois, sem redução de salário. Para o financeiro, a conta é direta: cada hora trabalhada fica até 10% mais cara, e as horas que deixam de existir precisam ser repostas com contratação, hora extra ou uma nova escala.

Equipe Paggo

Atualizado em

Leitura de 7 min
Linha de produção de uma fábrica de alimentos vista de cima, com dezenas de trabalhadores de uniforme e touca separando frutas nas esteiras.

As datas e o custo da nova jornada

42 hjornada máxima a partir de meados de dezembro de 2026
40 hjornada máxima a partir de dezembro de 2027
+10%no valor da hora de quem hoje trabalha 44 horas
0%de redução no salário, inclusive nos contratos em vigor

Atualizado em 19 out 2026: o Congresso promulgou a EC 141, originada da PEC 221/2019. O Senado aprovou o texto em 14 de outubro, por 75 votos a 1, e a Câmara, em maio. O próximo marco é a jornada de 42 horas, 60 dias após a publicação no Diário Oficial da União. Esta página é atualizada a cada etapa.

O que a EC 141 muda na jornada

Na escala 6x1, o empregado trabalha seis dias e descansa um. A EC 141 garante dois dias de repouso semanal remunerado, um deles preferencialmente aos domingos, e reduz o teto semanal em duas etapas.

PontoHojeCom a EC 141
Jornada semanal máxima44 horas42 horas na 1ª etapa e 40 horas na 2ª
Descanso semanal1 dia2 dias, um deles preferencialmente no domingo
SalárioPago por 44 horasMantido, sem redução proporcional
Compensação de folgasCLT e acordosMédia de 2 folgas por semana no mês, com ao menos 1 a cada 7 dias
Contratos em vigorVálidosCláusulas incompatíveis perdem validade após 60 dias

Quem fica fora: servidores públicos, jornadas que já são de até 40 horas (não há redução proporcional) e empregados com diploma de nível superior e salário de pelo menos 2,5 vezes o teto do INSS, que ficam fora das regras de controle de jornada.

Quem sente mais a mudança

O impacto depende de quantas horas a operação perde e de quantos dias por semana ela precisa funcionar. Os perfis abaixo resumem os casos mais comuns.

PerfilJornada hojeO que mudaImpacto
Supermercado, loja ou restaurante aberto 7 dias6x1, 44 horasCada posto passa a exigir mais gente para cobrir a semana, e a escala precisa ser redesenhadaalto
Indústria, obra ou logística em 5x244 horas, segunda a sextaCada pessoa perde 4 horas por semana; a produção pede hora extra ou contrataçãomédio
Comércio com sábado de meio período44 horas em 5,5 diasO sábado deixa de caber na semana de quem já folga no domingomédio
Escritório e administrativo40 horas, 5x2Nada muda na jornadanenhum

Quanto sobe o custo da hora

O salário não muda, mas passa a pagar menos horas. O valor da hora é o salário dividido pelo divisor mensal: 220 para 44 horas, 210 para 42 horas e 200 para 40 horas, o mesmo divisor que a Súmula 431 do TST já aplica a quem trabalha 40 horas. Como a hora extra (adicional mínimo de 50%) é calculada sobre esse valor, ela sobe na mesma proporção.

EtapaDivisorHora, salário de R$ 2.000Hora, salário de R$ 3.000Variação
44 horas220R$ 9,09R$ 13,64base
42 horas210R$ 9,52R$ 14,29+4,8%
40 horas200R$ 10,00R$ 15,00+10%

Regra rápida: a variação não depende do salário, porque vem só da razão entre os divisores (220 ÷ 210 e 220 ÷ 200). Ela só vira despesa quando a operação precisa repor as horas que a nova jornada retirou.

Exemplo: um supermercado com 50 operadores

Um supermercado com 50 operadores de caixa em 6x1, cada um com salário de R$ 3.000, tem hoje 2.200 horas de trabalho por semana (50 × 44). Na etapa de 40 horas, a mesma equipe entrega 2.000 horas, e faltam 200 horas por semana para manter o mesmo atendimento.

Cálculo · etapa de 40 horas

Contratar ou pagar hora extra?

SaídaContaCusto por mês, antes de encargos
Contratar200 h ÷ 40 h = 5 pessoas × R$ 3.000R$ 15.000 (+10% da folha de R$ 150.000)
Hora extra200 h × 4,35 semanas × R$ 22,50R$ 19.575 (+13% da mesma folha)

Na contratação entram ainda encargos, benefícios, recrutamento e treinamento. Na hora extra, os reflexos em descanso semanal, férias, 13º salário e FGTS, além do limite legal de duas horas extras por dia.

Na prática, a resposta costuma ser mista: demanda constante pede contratação, e picos sazonais, como dezembro no varejo, cabem melhor em hora extra ou banco de horas negociado. Em operações abertas sete dias por semana, o desenho da escala vem antes da conta, porque define quantas pessoas cada turno exige.

Quer ver o efeito da nova jornada no caixa da sua empresa nos próximos 14 meses?

O calendário do financeiro até 2027

O financeiro entra antes do RH fechar a nova escala, porque é ele quem mostra quanto cada desenho custa e quando o caixa sente.

Até 31/10

Mapear quem passa de 40 horas

Listar por função, centro de custo e unidade quem trabalha em 6x1 ou acima do novo teto. Só essas posições geram custo novo.

Novembro

Precificar as saídas e negociar

Comparar contratação, hora extra e banco de horas por função, e levar os números para a negociação do acordo coletivo, que define a jornada diária e a compensação.

Dezembro

Proteger o caixa da primeira etapa

A jornada de 42 horas chega junto com o 13º salário. Um fluxo de caixa de 13 semanas mostra em que semana a folga acaba.

2027

Reorçar a folha para as 40 horas

Incluir a segunda etapa no orçamento como premissa de custo de pessoal, revista no ciclo de FP&A, e revisar preços e contratos com mão de obra intensiva antes da renovação.

O que ainda está em aberto

  • Pequenas empresas: uma lei complementar poderá prever medidas de adaptação para MEI, microempresas e empresas de pequeno porte, condicionadas à manutenção dos empregos.

  • Setores específicos: o relator no Senado apontou a necessidade de regulamentar as cargas horárias de setores com regras próprias.

  • Jornada por hora: tramita no Senado a PEC 12/2026, que propõe um regime flexível com pagamento por hora trabalhada.

Ponto de atenção: a emenda não prevê desoneração da folha nem contrapartida às empresas. Qualquer medida nesse sentido depende de nova lei, e esta página será atualizada se ela avançar.

Perguntas frequentes

Pergunta frequente

Quando o fim da escala 6x1 começa a valer?

A jornada máxima cai para 42 horas 60 dias após a publicação da EC 141 no Diário Oficial da União, o que leva a meados de dezembro de 2026 se a publicação se confirmar em 16 de outubro. As 40 horas passam a valer um ano depois, em dezembro de 2027.

Pergunta frequente

O salário pode ser reduzido junto com a jornada?

Não. A redução da jornada é sem redução salarial, inclusive nos contratos em vigor. Por isso o valor da hora sobe 4,8% na etapa de 42 horas e 10% na de 40 horas.

Pergunta frequente

A empresa ainda pode usar hora extra e banco de horas?

Sim. A emenda não proíbe horas extras nem banco de horas, que seguem a CLT e os acordos coletivos. O que muda é a base: a hora extra passa a contar a partir de um teto semanal menor e sobre um valor de hora mais alto.

Pergunta frequente

A empresa precisa adotar a escala 5x2?

A emenda exige dois dias de repouso semanal remunerado, o que torna a 5x2 o caminho mais direto. Arranjos com compensação de folgas continuam possíveis, desde que a média seja de duas folgas por semana no mês e haja ao menos uma folga a cada sete dias.

Pergunta frequente

Pequenas empresas terão regra diferente?

Ainda não. A emenda abre espaço para uma lei complementar com medidas de adaptação para MEI, microempresas e empresas de pequeno porte, mas essa lei ainda não existe.

Glossário rápido

Escala 6x1
Regime em que o empregado trabalha seis dias e descansa um por semana. A EC 141 passa a exigir dois dias de repouso semanal remunerado.
Divisor mensal
Número de horas usado para converter o salário mensal em valor da hora: 220 para 44 horas semanais, 210 para 42 horas e 200 para 40 horas.
Banco de horas
Sistema de compensação em que horas trabalhadas além da jornada viram folga em outro dia, em vez de serem pagas como hora extra, dentro das regras da CLT e do acordo coletivo.

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