Contas a Receber: como modernizar a gestão sem prejudicar o relacionamento com o banco financiador
No Brasil, viabilizar uma incorporação passa quase sempre pelo funding de um grande banco, e esse crédito vem com uma exigência prática: emitir os boletos dos compradores na própria instituição que financia a obra. A carteira de recebíveis nasce, assim, atrelada a esse banco, enquanto a gestão do que entra é distribuída entre ferramentas legado e planilhas. Este artigo mostra o custo desse modelo e como manter o funding do banco sem abrir mão de uma gestão moderna da carteira.
O que este artigo cobre
Como o banco financiador afeta a gestão dos recebíveis
No Brasil, viabilizar uma incorporação passa quase sempre pelo funding de um grande banco. É esse crédito que permite tirar o empreendimento do papel. Em contrapartida, a incorporadora normalmente precisa emitir os boletos dos compradores na própria instituição financiadora. A carteira de recebíveis nasce, assim, vinculada ao banco por uma decisão de crédito, e não porque essa seja a melhor forma de administrá-la.
O problema é que o banco resolve apenas uma parte da operação: a emissão e a liquidação dos boletos. Todo o restante da gestão da carteira (como a cobrança, o acompanhamento da inadimplência, a conciliação, o controle documental, os indicadores e análise dos recebíveis) precisa acontecer fora dele.
Essas atividades acabam distribuídas entre ERPs, planilhas e controles próprios de cada SPE, e a incorporadora perde a visão única da carteira, passando a operar em um ambiente fragmentado. A fragmentação consume tempo, aumenta o risco de erros e dificulta decisões sobre uma das informações mais importantes do negócio: a receita.
Quanto custa manter o modelo atual
Quando uma incorporadora vende uma unidade, ela cria um ativo financeiro que continuará gerando caixa durante anos. Quanto maior a carteira, maior seu impacto sobre a liquidez, o capital de giro e a rentabilidade do empreendimento.
Na maioria das incorporadoras, porém, a carteira não é administrada como um único portfólio de recebíveis, mas como dezenas de operações independentes distribuídas entre bancos, ERPs, planilhas e controles específicos de cada SPE:
O banco conhece apenas os boletos que emitiu
O ERP registra os contratos
As planilhas complementam informações que nenhum sistema consolida
Para responder perguntas simples, como quanto há para receber, qual é a inadimplência consolidada, quais parcelas exigem ação imediata ou quanto cada empreendimento ainda tem de caixa a realizar, o financeiro primeiro precisa reconstruir a informação. Antes de decidir, é preciso consolidar arquivos, validar números, reconciliar divergências e conferir se todas as fontes chegaram ao mesmo resultado. O trabalho deixa de ser financeiro e passa a ser operacional.
É nesse intervalo entre a informação e a decisão que surgem as perdas mais relevantes:
Uma parcela pode permanecer dias sem cobrança porque ninguém identificou o vencimento
Uma correção monetária pode ser aplicada de forma incorreta sem que exista um mecanismo central de validação
Um recebimento conciliado em um sistema pode permanecer pendente em outro
Distratos, renegociações e alterações contratuais deixam de atualizar automaticamente todos os controles da carteira, criando versões diferentes da mesma informação.
Nenhuma dessas falhas compromete sozinha um empreendimento. O problema é que elas acontecem diariamente, em centenas ou milhares de contratos simultaneamente. O resultado é uma operação que exige cada vez mais pessoas para produzir a mesma informação, aumenta a exposição a erros operacionais, reduz a velocidade de reação à inadimplência e dificulta decisões sobre caixa, crédito e novos investimentos.
No fim, o maior custo desse modelo não é a tarifa bancária nem o boleto emitido. É administrar um dos ativos mais importantes da incorporadora sem uma visão única, confiável e atualizada da própria carteira de recebíveis.
Representação qualitativa, sem escala de valor. A gestão dispersa é a frente que a Paggo resolve.
Como manter o funding do banco e modernizar a gestão
A saída não passa por trocar de banco, mas sim em combinar duas esferas que hoje andam separadas: os benefícios do crédito do banco que financia o empreendimento e uma plataforma moderna que centraliza a gestão de recebíveis. O banco segue emitindo o boleto onde o contrato exige, e a gestão da carteira passa a acontecer em um único lugar, e não mais espalhada.
É esse o papel da Paggo. A plataforma se conecta ao banco financiador e transforma a gestão de contas a receber em um processo único, integrado e automatizado. Em um único ambiente, a incorporadora administra toda a régua de cobrança, acompanha a inadimplência em tempo real, concilia automaticamente os recebimentos, centraliza os documentos da carteira e acompanha indicadores por SPE e por empreendimento. O resultado é uma operação muito menos dependente de controles manuais, com mais governança, maior previsibilidade de caixa e informações confiáveis para apoiar decisões financeiras.
A emissão segue no banco exigido pelo contrato; a gestão da carteira acontece em uma única plataforma.
Perguntas frequentes
Por que a gestão dos recebíveis fica atrelada ao banco financiador?
Porque o funding que viabiliza a obra costuma exigir, como contrapartida, que os boletos dos compradores sejam emitidos na própria instituição financiadora. A carteira nasce, então, vinculada ao banco por uma decisão de crédito. O banco, porém, resolve apenas a emissão e a liquidação dos boletos, de modo que toda a gestão da carteira, da cobrança à conciliação e aos indicadores, precisa acontecer fora dele.
Qual é o maior custo de gerir a carteira de recebíveis de forma fragmentada?
O maior custo é administrar a carteira de recebíveis sem uma visão única e confiável. Espalhada entre bancos, ERPs e planilhas, ela obriga o time a reconstruir a informação antes de cada decisão e abre espaço para parcelas sem cobrança, correções aplicadas de forma incorreta e recebimentos conciliados em um sistema e pendentes em outro.
Preciso trocar de banco para modernizar a gestão dos recebíveis?
Não. Para quem opera com financiamento à produção, a emissão dos boletos no banco financiador costuma ser uma contrapartida contratual do crédito, e trocar de banco raramente é viável. A saída está em manter a emissão no banco exigido pelo contrato e levar a gestão da carteira para uma plataforma própria, que se conecta ao banco pelo arquivo CNAB e concentra a régua de cobrança, a conciliação e a visão da carteira por empreendimento.
O que é CNAB e qual o seu papel na gestão dos recebíveis?
CNAB é o padrão de arquivos definido pela Febraban para a troca de informações de cobrança entre a empresa e o banco: a empresa envia as instruções de cobrança e o banco devolve a confirmação dos recebimentos e das baixas. É por meio dele que uma plataforma de gestão se conecta ao banco financiador, o que permite centralizar a régua de cobrança, a conciliação e a visão da carteira sem que a incorporadora precise abrir mão do crédito.
Faz parte da série
Glossário rápido
- CNAB
- Padrão de arquivos definido pela Febraban para a troca de informações de cobrança entre a empresa e o banco: a empresa envia as instruções de cobrança e o banco devolve a confirmação dos recebimentos e das baixas.
- SPE
- Sociedade de Propósito Específico, empresa criada para um empreendimento específico, com contas e contabilidade próprias; a incorporadora costuma operar como uma holding de várias SPEs.
- Carteira de recebíveis
- Conjunto dos contratos e parcelas a receber dos compradores de um empreendimento; é um dos principais ativos da incorporadora e sustenta o caixa da obra ao longo do ciclo.
Agende uma demonstração
Veja como a Paggo cobra em qualquer banco a partir de um só lugar, sem abrir mão do crédito da obra.
Receba os próximos conteúdos
Análises e explicadores sobre finanças, tributação e gestão para o seu setor, direto no seu e-mail.